Câmara de Ordino planeia rebanho de 150 ovelhas para reduzir riscos de incêndios em florestas íngremes
A paróquia de Andorra propõe reviver o pastoreio ovino em encostas abruptas para desbastar vegetação de forma natural, em áreas inacessíveis a máquinas e animais maiores.
Pontos-chave
- Paróquia de Ordino visa usar ~150 ovelhas em zonas montanhosas íngremes e inacessíveis.
- Revive práticas tradicionais; Andorra tinha 30 mil-40 mil ovelhas há 40 anos para controlar sub-bosque.
- Ovelhas complementam desmatos mecânicos em Llorts, Sornàs, Segudet; precisa de pastor dedicado.
- Teste-piloto planeado com rebanhos locais antes de expansão.
A Câmara da paróquia de Ordino está a explorar a criação de um rebanho de cerca de 150 ovelhas para melhorar a gestão florestal e reduzir os riscos de incêndios em zonas de alta montanha onde vacas e cavalos não conseguem aceder facilmente a terrenos íngremes.
A iniciativa visa reviver práticas tradicionais de pastoreio que outrora ajudaram a manter as paisagens de Andorra. Eduard Betriu, vice-cônsul de Ordino, referiu que há cerca de 40 anos o país tinha entre 30.000 e 40.000 ovelhas, cujo forrageamento natural controlava o sub-bosque. Com a diminuição acentuada do número de ovelhas, a vegetação engrossou em locais remotos, aumentando as cargas de combustível para fogos.
As ovelhas destinar-se-iam a encostas íngremes e de difícil acesso, fora do alcance do gado maior, que já pasta em pastagens mais seguras. Ao consumirem erva, arbustos e sub-bosque antes de secarem, os animais poderiam atuar como ferramentas naturais de desbaste, complementando os esforços mecânicos em curso da câmara em zonas como Llorts, Sornàs e Segudet. Estes incluem a remoção de mato e o raleio para aumentar a biodiversidade e criar paisagens resistentes ao fogo.
Betriu sublinhou a necessidade de pastoreio controlado para preservar a erva dos vales para vacas e cavalos. O plano envolve a junção de pequenos rebanhos existentes de explorações locais. Contudo, exige um pastor dedicado para guiar as ovelhas e evitar conflitos com outras zonas de pastagem — um desafio chave, pois encontrar pessoal adequado continua difícil.
Agricultores locais e associações de pecuária acolheram a ideia em discussões, mas a câmara planeia um teste-piloto em pequena escala com ovelhas da paróquia primeiro, para avaliar a viabilidade antes de ampliar. «Devemos pelo menos tentar um ensaio com um rebanho local para não nos arrependermos de não o ter feito», disse Betriu.
O projeto assenta em dois anos de trabalho de gestão florestal, visando mitigar proativamente as ameaças de fogo observadas em países vizinhos, equilibrando as necessidades agrícolas. Detalhes sobre prazos estão ainda em análise.
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