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Ambiente·

Seminário PITON avança ferramentas de adaptação transfronteiriça para estâncias pirenaicas

Parceiros partilharam resultados de pilotos e ferramentas para repensar modelos de estâncias de montanha face a invernos mais curtos e menos neve, enfatizando a colaboração local em vez de soluções impostas de cima.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraEl PeriòdicBon DiaAltaveu

Pontos-chave

  • Dez parceiros transfronteiriços testam ferramentas digitais de avaliação e métodos participativos em quatro territórios piloto.
  • Grupos de foco em Canillo exploraram cenários para 2050 com temperaturas mais elevadas e pouca ou nenhuma estação de inverno.
  • Metodologia centra-se em projeção espacial/temporal e coelaboração com autarcas, empresas e residentes.
  • Primeiros resultados previstos para a próxima primavera; relatório final do projeto esperado até final de 2026.

Joël Maitia, coordenador do projeto PITON sobre a transição das estâncias de montanha pirenaicas face às alterações climáticas, abriu um seminário de dois dias em Canillo, onde parceiros de Andorra, França e Espanha partilharam metodologias e resultados preliminares dos casos piloto do projeto. O encontro, o terceiro seminário territorial do PITON, reuniu os dez parceiros transfronteiriços para partilhar trabalho de campo e refinar ferramentas de adaptação local.

Lançado em 2024 no âmbito do programa INTERREG-POCTEFA e a decorrer até ao final de 2026, o PITON combina abordagens sociais e tecnológicas para repensar modelos de desenvolvimento em territórios de montanha confrontados com invernos mais curtos e menos neve. Os parceiros incluem Agence des Pyrénées, ISTHIA-UT2J (Instituto de Hospitalidade de Toulouse), a Agència de Turisme de Catalunya, o Conseil Départemental des Pyrénées-Orientales, CIPRA, Ferrocarrils de la Generalitat (FGC), Andorra Recerca + Innovació (AR+I), Pyrénées Vivantes e Couserans Pyrénées.

O projeto desenvolveu ferramentas digitais para avaliar impactos nos recursos naturais e modelar repercussões socioeconómicas. Estas ferramentas estão a ser testadas em conjunto com métodos participativos em quatro territórios piloto: Capcir e Couserans no sul de França, La Molina na Cerdanya e Canillo em Andorra. Em Canillo, a AR+I coordenou grupos de foco com residentes, representantes da Grandvalira e comerciantes locais para explorar futuros possíveis, incluindo cenários para 2050 com temperaturas mais elevadas e pouca ou nenhuma estação de inverno.

A metodologia de mobilização do PITON assenta em três princípios: projeção espacial, projeção temporal e uma visão sistémica e global. Grupos de trabalho reúnem autarcas, profissionais e outros agentes locais para refletir progressivamente sobre o futuro que cada território deseja e coelaborar opções de adaptação. Os coordenadores sublinharam que a adaptação não pode ser imposta de fora; as ações devem emergir da colaboração entre políticos, profissionais e habitantes.

Os oradores destacaram que os impactos económicos da redução da neve vão além dos operadores de esqui, afetando hotéis, restaurantes e cadeias de abastecimento locais. O projeto procura fomentar uma «inteligência coletiva» intersetorial para que as respostas sejam territoriais e integradas, em vez de recair numa única entidade. Os participantes enfatizaram que as soluções terão de ser adaptadas às condições ambientais, sociais e económicas de cada território.

As apresentações realçaram desafios comuns — estações mais curtas e limites técnicos na produção de neve artificial em altitudes mais baixas — apelando a estratégias adaptadas localmente. Lucas Meheux, da Agence des Pyrénées, disse que o aquecimento de cerca de 2 °C nos Pirenéus obriga a repensar os futuros da montanha. Noelia Souque, embaixadora da cooperação transfronteiriça, descreveu o objetivo do projeto como preparar a economia de montanha «para quando não houver neve», promovendo atividades menos sazonais e mais diversificadas.

Andorra participa através de equipas técnicas e envolvimento ativo nas trocas e pilotos, mas não recebe nem contribui com fundos da UE por não ser membro da União. Autarcas locais acolheram o trabalho de grupos de foco: a vereadora de Canillo, Coia Torres, disse que a participação direta dos cidadãos ajuda a construir soluções realistas e sustentáveis e a identificar prioridades territoriais.

Os organizadores anunciaram que mais oficinas participativas estão agendadas após o próximo inverno, que os primeiros resultados serão publicados na próxima primavera e que um relatório final é esperado até ao final de 2026. O seminário visou consolidar lições dos pilotos numa metodologia transversal para guiar transições locais nos Pirenéus, mantendo em vista o objetivo mais amplo de desacelerar as alterações climáticas.

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