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Cultura·

Autor andorrano Iñaki Rubio lança coletânea de contos Friccions

O novo livro de Iñaki Rubio explora perturbações subtis na realidade quotidiana através de 23 histórias de cisões identitárias, ecos de memória e interferências tecnológicas. Regressa aos contos após romances, elogiando a liberdade do formato para testar ideias no meio das fricções da vida.

Pontos-chave

  • Friccions tem 23 contos em três partes: 'El membre fantasma', 'Estampes' e 'Interferències'.
  • Revisa temas de identidade, memória, tecnologia e ruturas da realidade de obras como Trencadís e Bestiari pirinenc.
  • Contos misturam quotidiano com deslocamentos estranhos; Rubio prefere o formato curto para experimentação e reescrita.
  • Publicado pela editora andorrana Medusa a 14 de setembro; descrito como divertido e revelador.

O autor andorrano Iñaki Rubio regressa à ficção curta com *Friccions*, uma coletânea de 23 contos publicada pela Medusa que revisita temas das suas obras anteriores ao mesmo tempo que explora perturbações na realidade, identidade e ligações.

O livro, com saída prevista para 14 de setembro, divide-se em três partes: "El membre fantasma", "Estampes" e "Interferències". Assenta em motivos de títulos anteriores, incluindo *Trencadís* (2012), *L’altre costat del mirall* (2014) e *Bestiari pirinenc* (2021), misturando contos clássicos, miniaturas literárias e narrativas modernas de inquietante estranheza.

Os contos partem de situações quotidianas familiares, introduzindo ligeiras alterações que desestabilizam as perceções. Ideias recorrentes abrangem identidade, duplos, memória, tecnologia, vidas possíveis, laços emocionais e a forma como os indivíduos constroem as suas narrativas pessoais. A secção inicial reúne peças mais longas sobre ausências, cisões e identidades em conflito. "Estampes" apresenta vinhetas breves de gestos e cenas do quotidiano, enquanto "Interferències" sonda os efeitos da tecnologia, da ficção e das projeções de si no real.

Rubio, que começou com contos, retoma o formato após romances e crónicas romanizadas como *Morts, qui us ha mort?* e *Pau de Gósol*. O volume mantém fios condutores da sua produção passada, como reflexos, existências paralelas, presenças ausentes, metamorfoses quotidianas e fronteiras entre realidade e ficção.

Ele vê o género como ideal para liberdade e experimentações, ao contrário das limitações da não ficção recente. "Nunca parei de escrever contos", notou Rubio. "É onde me sinto mais à vontade e posso testar ideias rapidamente antes de as aplicar a projetos maiores." Abrangendo anos — alguns de 2017 ou 2018 —, as peças sofreram revisões extensas. "A chave para escrever é reescrever", disse ele. "Regressas a um texto anos depois como uma pessoa diferente, vendo novas possibilidades."

Um elemento unificador coloca as figuras no meio das tensões da vida. "Procuramos coerência, mas a existência está cheia de pequenas alterações que desestabilizam a realidade", observou Rubio. Essas instâncias misturam o ordinário e o estranho, questionando o descontentamento rotineiro.

Alguns refletem as suas incertezas de escritor, como preocupações com autoplágio. Ele destaca "La germana invisible" como um germe inicial de romance, adiado por outro trabalho. Publicar com uma editora andorrana após um tempo afastado tem peso, disse ele, creditando a Medusa.

Aos novatos, recomenda: "É fácil de ler, divertido e revelador — como mudar de óculos para ver as surpresas da vida quotidiana."

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