Albert Espinosa elogia 'mãe do hospital' em evento na Andorra sobre deficiência
Numa conversa virtual no Centre de Congressos da Andorra, o autor — que perdeu uma perna, um pulmão e parte do fígado para o cancro — recorda os ensinamentos dela sobre coragem, humor e reformular a perda durante a sua batalha de uma década.
Pontos-chave
- Falou à distância no Centre de Congressos em Andorra la Vella pelo Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.
- Teve cancro dos 14 aos 24 anos, perdendo uma perna, um pulmão e parte do fígado.
- Uma 'mãe do hospital' de 90 anos ensinou-lhe coragem, humor e rituais como uma festa de despedida por um membro amputado.
- Aconselhou a 'viver as vidas' dos doentes falecidos para que se multipliquem dentro de ti; temas refletidos na sua série Polseres Vermelles.
O autor Albert Espinosa falou à distância no Centre de Congressos, em Andorra la Vella, por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, relatando a sua luta contra o cancro e o papel fundamental de uma idosa andorrana que chama de 'mãe do hospital'.
Espinosa — que teve cancro dos 14 aos 24 anos, período em que perdeu uma perna, um pulmão e parte do fígado — disse que gostaria de ter estado presente, mas tinha uma cirurgia agendada para o dia seguinte; acrescentou que a nova operação seria provavelmente benigna. A palestra, intitulada "Se acreditares nos sonhos, eles criar-se-ão", foi organizada pela Afers Socials e pela FAAD e atraiu um auditório lotado.
Descreveu como a mulher, uma nonagenária de Andorra la Vella, lhe ensinou coragem, humor e como viver com a perda. Ela incentivou os jovens doentes a adotar um lema desafiador — "No sois cojos, sois cojonudos" —, que Espinosa disse ter-se tornado uma espécie de grito de batalha entre eles. Ela reformulou as amputações e tratamentos em termos positivos: "Não perdeste uma perna, ganhaste um pulmão; não perdeste um pulmão, aprendeste que podes viver com metade; e quando me removeram o fígado 'em forma de estrela', ela disse que eu tinha um 'xerife' dentro de mim."
O humor, disse, foi outra lição que ela insistiu. Contou como as pessoas olham para a sua perna protética e como ele se vira para captar a atenção delas, uma memória que arranca risos. Ela também lhe ensinou a fazer perguntas em vez de ter medo de enfrentar o que as pessoas evitam — um hábito que o tornou "o miúdo mais curioso do hospital", brincou, comparando-se a El Lleó da sua série Polseres Vermelles.
Espinosa notou ligações entre a sua vida e a série de TV que deu a conhecer a sua história a muitas pessoas: personagens como El Lleó e Jordi — este último, observou, é da Andorra, uma pequena homenagem à sua mãe do hospital. Uma lição específica que ela transmitiu foi fazer uma festa de despedida pelo membro no dia antes da amputação. Ele convidou pessoas ligadas a essa parte da sua vida: um guarda-redes com quem jogara, uma rapariga com quem partilhara momentos secretos de roçar os pés, e a sua enfermeira para a última dança. Graças a esse ritual, disse, nunca sentiu um membro fantasma persistente; mais tarde enterrou a perna num cemitério e brincou que poderia ser um dos poucos na sala com um pé na cova.
Por fim, Espinosa recordou o conselho dela para lidar com o luto quando colegas de internamento morriam: viver as vidas daqueles que partem para que se multipliquem dentro da tua. Disse que foi isso que fez ao longo dos seus anos no hospital.
Fontes originais
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