Andorra abandona Bienal de Veneza devido a cortes orçamentais
Ministério da Cultura de Andorra suspende participação na Bienal de Veneza a médio prazo, redirecionando 500 mil euros para outros programas após faltas.
Pontos-chave
- Ministério redireciona 500 mil euros por edição da Bienal para outros programas, faltando ciclos 2022-2026.
- Artistas como Sam Bosque e Eve Ariza lamentam perda de prestígio, sugerem eventos ao estilo de Veneza localmente.
- Javier Balmaseda defende custo anual de 250 mil euros como justificável pelo formato único de pavilhão nacional.
- Francisco Sánchez recomenda Bienal de Malta como alternativa com subsídios de 13 mil euros para artistas.
O Ministério da Cultura de Andorra confirmou que não participará na Bienal de Veneza a médio prazo, principalmente devido a restrições orçamentais. A decisão, anunciada há duas semanas, redireciona os 500 mil euros por edição para outros programas. Após faltar nos ciclos de 2022, 2024 e 2026, um eventual regresso em 2028 exigiria começar do zero, desperdiçando os investimentos das cinco participações anteriores de Andorra entre 2011 e 2019.
Artistas e veteranos do evento expressaram resignação em vez de surpresa. Sam Bosque, que expôs em 2013, reconheceu o desafio financeiro para uma pequena nação, mas defendeu alternativas para manter a exposição internacional. «Eventos como a Bienal não beneficiam apenas os artistas, mas também colocam o país no mapa cultural», disse.
Eve Ariza, cuja instalação Murmuri bowls obteve grande visibilidade em 2017, considerou Veneza a montra mais forte que Andorra alguma vez teve. Sugeriu inverter o modelo: «Se não podemos ir a Veneza, talvez possamos trazer Veneza até nós.»
Javier Balmaseda, que participou em 2013 com cavalos dissecados e curou em 2017, questionou o argumento do custo, estimando 250 mil euros anuais como razoáveis se priorizados. Distinguiu feiras comerciais como Lyon ou Yokohama — onde galerias competem independentemente da nacionalidade — de eventos curados como Documenta Kassel ou Bienal de São Paulo. Nenhum outro evento iguala o formato de pavilhão nacional de Veneza, notou, embora iniciativas individuais com apoio público permaneçam possíveis.
Francisco Sánchez, parte da estreia de Andorra em 2011 ao lado de Helena Guàrdia, destacou a Bienal de Malta como alternativa promissora. Na sua segunda edição, oferece subsídios de 13 mil euros a 50 artistas selecionados entre milhares de candidatos, com a próxima em 2028. Criticou o processo de seleção por chamada aberta de Andorra no passado, defendendo um comissário internacional com redes para escolher os artistas.
Os participantes enfatizaram o papel de Veneza para além da economia: mostrar vitalidade criativa, não promover turismo. Balmaseda alertou contra esperar retornos quantificáveis, enquanto todos concordaram que plataformas internacionais são essenciais, dado o mercado doméstico limitado para artistas profissionais.
Fontes originais
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