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Cultura·

Líder islâmico de Andorra: Ramadão promove coexistência, não imposição

Salih Salhi combate estereótipos, explicando o Ramadão como prática pessoal flexível que se integra perfeitamente na vida quotidiana e no trabalho em Andorra.

Sintetizado a partir de:
El Periòdic

Pontos-chave

  • Ramadão é um dos cinco pilares do Islão: jejum do nascer ao pôr do sol, com isenções para doentes, viajantes ou trabalhadores exigentes.
  • Sem perturbações em Andorra; trabalhadores fazem pausas breves, orações ajustadas para as 21h para muçulmanos empregados.
  • Quebra o jejum simplesmente com tâmaras, sopa; preparação via jejuns parciais em Sha'ban.
  • Islão prioriza 95% comportamento como respeito e honestidade sobre culto; centro convida visitantes.

Salih Salhi, presidente do Centre Cultural Islàmic de Andorra, enfatizou que o Ramadão representa um período de coexistência em vez de imposição, combatendo estereótipos comuns no início do mês sagrado na quarta-feira, 18 de fevereiro.

Salhi abordou perceções que ligam o jejum a excessos, rigidez ou perturbações sociais, insistindo que ele se alinha perfeitamente com o trabalho e a vida quotidiana no Principado. «O Ramadão não é um mês de excessos, nem uma prática imposta, nem um obstáculo à coexistência», afirmou, enquadrando-o como uma questão de responsabilidade pessoal.

Um dos cinco pilares do Islão — ao lado da profissão de fé, das cinco orações diárias, da esmola e da peregrinação a Meca para quem pode —, o Ramadão exige abstenção de comida, bebida e relações conjugais desde o nascer do sol até ao pôr do sol. A alimentação e as atividades normais retomam à noite, explicou Salhi, com o perdão divino como recompensa prometida.

A prática inclui flexibilidade inerente: há isenções para doentes, trabalhadores em empregos fisicamente exigentes ou viajantes, que podem recuperar os dias perdidos mais tarde. O calendário lunar islâmico, 11 dias mais curto que o gregoriano, faz com que o Ramadão mude anualmente, tornando a observância no verão mais difícil para trabalhadores ao ar livre, embora o Islão permaneça acomodatício.

Desafiando mitos de refeições iftar opulentas, Salhi notou que quebrar o jejum requer apenas tâmaras, sopa ou café, seguido de um jantar normal — sem extravagâncias. A preparação começa no mês anterior, Sha'ban, com jejuns parciais para habituar o corpo.

Não surgiram problemas em Andorra até agora, relatou. Os trabalhadores fazem pausas breves para comer, retomando os deveres normalmente; escolas e residências respeitaram a prática. O centro ajustou as orações noturnas para as 21h, com duração de 40-45 minutos, para acomodar os membros empregados. Ênfase especial recai na 27.ª noite dos últimos 10 dias, que marca a primeira revelação do Corão, seguida de um jantar comunitário.

Salhi sublinhou que o Islão consiste em «5% de culto e 95% de comportamento», priorizando o respeito pelos vizinhos, a honestidade e a igualdade independentemente da fé, origem ou raça. «O Islão é uma religião perfeita; eu sou muçulmano, mas não perfeito. Julguem-me pelos meus erros, não pela fé», disse.

O centro acolhe visitantes para aprender mais e planeia retomar aulas abertas sobre cultura islâmica e árabe assim que garantir um espaço maior.

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