Lojas de brinquedos na Andorra reforçam estereótipos de género no Dia dos Reis Magos
Especialistas alertam que brinquedos com género nas lojas andorranas perpetuam o sexismo, limitando o desenvolvimento infantil apesar da crescente consciencialização e da subtileza no retalho.
Pontos-chave
- Brinquedos transmitem estereótipos: raparigas com cuidado/beleza, rapazes com força/competição.
- Adultos reforçam preconceitos nas compras; crianças não genrificam brinquedos.
- Brincar genérico limita competências — raparigas perdem técnicas, rapazes expressão emocional.
- Especialistas defendem brinquedos não genéricos como puzzles/kits científicos para criatividade e equidade.
As lojas de brinquedos e catálogos na Andorra estão repletos de prendas antes do Dia dos Reis Magos, mas também transportam mensagens subtis sobre expectativas de género para as crianças. Apesar do progresso social, especialistas alertam que o sexismo persiste no brincar infantil através de cores, papéis e pressupostos que moldam identidades jovens.
A psicóloga Aida Romero, do centro NIVI, explica que os brinquedos não são neutros. «Podem transmitir mensagens sobre cuidado, beleza, força ou competências», afirma. Sem dar por isso, os adultos reforçam frequentemente estereótipos e restringem o desenvolvimento das crianças. Romero acrescenta que está bem se uma criança escolher um brinquedo tradicionalmente ligado ao género oposto, pois isso ajuda a construir a sua própria identidade.
Sílvia Moreno, outra psicóloga, concorda que os brinquedos perpetuam estereótipos sociais duradouros, associando as raparigas à sensibilidade e os rapazes à força ou à competição. Com o tempo, isso pode limitar competências e expectativas futuras. «Quando o acesso a brinquedos é por género, as raparigas perdem oportunidades para desenvolver competências espaciais ou técnicas, enquanto os rapazes têm menos chances de expressar emoções ou praticar cuidados», alerta.
Judith Pallarès, secretária-geral do Instituto Andorrano da Mulher (IAD), sublinha que as crianças não atribuem género aos brinquedos — os adultos é que o fazem. O IAD lançou recentemente uma campanha mediática a destacar isso, notando uma tendência persistente para comprar brinquedos com base no que a sociedade espera de rapazes ou raparigas. Embora a publicidade seja agora menos explícita, as decisões de compra ainda reproduzem estereótipos.
Pais, cuidadores e educadores podem impulsionar a mudança, sugere Moreno, oferecendo brinquedos diversos e não genéricos que promovam criatividade, cooperação e pensamento crítico — como puzzles ou kits de ciência. É igualmente vital evitar reações diferentes com base no sexo da criança e validar todos os interesses sem julgamento.
Os retalhistas observam mudanças graduais. Joan Villasevil, da Basar Valira, nota que é cada vez mais comum ver rapazes e raparigas a divertirem-se com qualquer brinquedo. As escolhas familiares ainda influenciam as compras iniciais, no entanto. Nesta época simbólica, especialistas exortam a usar o brincar para fomentar liberdade, equidade e respeito.
Fontes originais
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