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Cultura·

Anna Mora Griso revela laços profundos de Pau Casals com Andorra

Violoncelista e musicóloga desvenda visitas do músico no exílio, afinidade com a língua catalã e projetos culturais não realizados através de arquivos.

Sintetizado a partir de:
Altaveu

Pontos-chave

  • Casals fez primeiro testamento em Andorra em 1941 para honrar língua catalã suprimida.
  • Confirmadas sete visitas privadas com amigos e família catalães exilados, anos 1940-1960.
  • Sem concertos públicos por falta de espaços, mas influenciou músicos locais.
  • Projeto de 1964 para 'L'oratori del pessebre' aprovado mas cancelado por conflitos.

**Anna Mora Griso desvenda laços profundos de Pau Casals com Andorra através da língua e visitas privadas**

Violoncelista e musicóloga Anna Mora Griso detalhou a profunda ligação entre Pau Casals e Andorra, destacando a língua catalã como fator chave durante o exílio do músico. Falando no salão de exposições do governo, Mora partilhou descobertas da sua investigação, realizada com o historiador Josep Maria Figueras, que se baseou em registos locais limitados, correspondência pessoal e arquivos em Andorra e Catalunha.

A ligação documentada de Casals a Andorra começou em 1941, quando lá fez o seu primeiro testamento, conforme relatado numa entrevista ao notário Eduard Rossell fornecida pelo Arquivo Nacional de Andorra. Rossell descreveu o seu primeiro encontro em Prades e a escolha de Casals pelo Principado para honrar a língua catalã, então suprimida na Catalunha. Casals redigiu um segundo testamento em 1946 com o notário Rossend Jordana, embora testamentos posteriores noutros locais os tenham substituído.

A equipa de Mora confirmou sete visitas de Casals, muitas vezes encontros privados com amigos catalães exilados como Orobitg, Capdevila, Viladomat e Estadella, ou familiares como a sobrinha Pilar. Estas careciam de reconhecimento oficial, explicando a escassez de registos — não havia jornais na altura, e as atas dos síndicos não mencionavam nada. Provas chave vieram de cartas entre Casals e Andreu Claret (sogro de Mora), o seu secretário Joan Alavedra, e o músico Josep Fontbernat. Postais de Andorra referiam Casals a interpretar privadamente partes do seu "Poema del pessebre" em casa de um médico.

Casals sentia-se à vontade no ambiente cultural de Andorra, mantendo laços calorosos com o Síndico Geral Francesc Cairat, cuja neta Maria Teresa foi entrevistada. Nunca deu concertos públicos ali — faltavam espaços adequados —, mas influenciou indiretamente a cultura local. Os filhos de Claret, Lluís e Gerard, tornaram-se músicos profissionais; Gerard fundou a orquestra ONCA.

Um destaque foi um projeto quase realizado em 1964 para Claret encenar o monumental "L'oratori del pessebre" de Casals, com música de Casals e letra de Alavedra. Planeado para um campo com grande orquestra, tenda e capacidade para 3000 pessoas, teve aprovação governamental e orçamento. Claret até ofereceu transporte de helicóptero, mas a mulher de Casals questionou a escala, e conflitos de agenda — mais uma oportunidade no Vaticano — fizeram-no descarrilar. Mora chamou-lhe uma oportunidade perdida para projetar Andorra globalmente.

A investigação baseou-se nos Arquivos Nacionais de Andorra e no Fundo Pau Casals da Catalunha, incluindo cartas com Cairat e vegueiros franceses, além de publicações dos anos 1960 como "Andorra Magazine" e um documentário local. Muito permanece privado, incluindo testamentos guardados pela viúva de Casals, Marta, em Washington. Mora notou que não houve interpretações erradas prévias devido à subexploração do tema, enfatizando Andorra como raro refúgio para Casals após o exílio, nunca revisitada a Catalunha.

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