Voltar ao inicio
Cultura·

Arquiteto francês Jean-Michel Ruols, designer do resort Caldea em Andorra, morre aos 80 anos

Jean-Michel Ruols, o visionário por trás do icónico resort termal Caldea em Andorra, faleceu a 17 de fevereiro após uma longa doença.

Sintetizado a partir de:
AltaveuDiari d'AndorraBon DiaEl Periòdic

Pontos-chave

  • Ruols projetou Caldea no final dos anos 1980, preferindo faxes desenhados à mão a ferramentas digitais, frustrando equipas com alterações de última hora.
  • Aberto a 26 de março de 1994 com fachadas de vidro e torre de 80 m, desafiando normas romanas locais e tornando-se ícone do horizonte.
  • Ganhou apelido de 'arquiteto da água' por centros aquáticos; expandiu depois Caldea e trabalhou em projetos na Europa e Mumbai.
  • Caldea atraiu mais de 9 milhões de visitantes, ancorando turismo termal; elogiado pela abertura racionalista e luz.

Jean-Michel Ruols, o arquiteto francês por trás do emblemático resort termal Caldea em Escaldes-Engordany, Andorra, morreu a 17 de fevereiro, aos 80 anos, após uma longa doença.

Caldea expressou profundo pesar pela sua morte e anunciou planos para o homenagear com uma placa comemorativa na entrada do complexo. Os funcionários souberam indiretamente da notícia e descreveram-no como a verdadeira força criativa por trás do seu design.

Nascido em 1945 e formado na École des Beaux-Arts, com um atelier numa avenida central de Paris, Ruols ganhou o apelido de «arquiteto da água» pelo seu foco em centros de lazer aquáticos. Recusava software de design digital como o AutoCAD, preferindo esboços a lápis desenhados à mão e enviados por fax — um processo que frequentemente frustrava a sua equipa andorrana durante a construção de Caldea no final da década de 1980. Os colaboradores fixavam os seus faxes nas paredes, preparando-se para alterações de última hora vindas de Paris que anulavam trabalhos anteriores.

Encomendado por volta de 1985 pelo conselho de Escaldes-Engordany, sob o cônsul Jacint Casal — ou sujeito a concurso em 1987 —, o projeto visava reaproveitar as fontes termais locais para o turismo de massas, passando de spas de elite para lazer acessível. Ruols alterou os planos iniciais de estilo românico em pedra e madeira, optando por fachadas de vidro afiadas, transparência total e uma torre de 80 metros — outrora a mais alta de Andorra — que ecoava os picos próximos e recordava campanários medievais. O resort abriu a 26 de março de 1994, remodelando o horizonte do vale central e gerando debate por desafiar as normas locais, semelhante ao santuário de Meritxell ou à câmara municipal de Encamp de paredes de vidro de 1991, de Roberto Suso.

O arquiteto Enric Dilmé elogiou-o como um ícone imediato, concebido desde o início como dominante no horizonte, com influências racionalistas de abertura e luz, superior aos pares. Ruols guiou depois expansões, incluindo o Inúu só para adultos em 2012 ou 2013 com contornos mais suaves, uma remodelação em 2015 e a área infantil Likids em 2016. O local atraiu mais de nove milhões de visitantes, ancorando o turismo termal.

Casal recordou Ruols como uma figura entusiástica mas exigente — parte arquiteto, parte artista —, cheia de empatia, que ajudou a definir a Andorra moderna apesar das críticas iniciais. Reservado pessoalmente, com uma vida privada intensa, chegou a pensar em mudar-se durante o Inúu, mas em vez disso prosseguiu projetos no Luxemburgo e na Europa de Leste, como eco-aldeias na Bulgária, Roménia e Moldávia. Os seus créditos incluem ainda elementos aquáticos no Parc Astérix, em Plailly, Oise, França, e um espaço semelhante em Mumbai quatro anos após Caldea.

Os detalhes do funeral não foram divulgados.

Partilhar o artigo via