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Cultura·

Assassinato, envenenamento e os limites do poder feudal

A violência medieval existia, mas era frequentemente contida por instituições jurídicas emergentes, como tribunais e a ‘Paz e Trégua’.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Direito emergente, sistemas judiciais e medidas de ‘Paz e Trégua’ ajudaram a conter abusos feudais.
  • Vários bispos de Urgell tiveram fins violentos ou traumáticos (São Ermengol 1035; Guillem Guifré assassinado 1075).
  • Nobres sofreram mortes suspeitas e envenenamentos: Bernat de Vilamur (assassinado 1203); incidentes na linhagem de Foix incluindo Francis Phoebus (1483).
  • Assassinatos políticos notáveis posteriores: Rei Henrique IV esfaqueado em 1610; Luís XVI executado pela guilhotina em 1793.

As pessoas imaginam frequentemente o passado distante — especialmente o período medieval — como excepcionalmente violento, uma época em que a vida humana era barata e os caprichos dos poderosos deixavam os camponeses indefesos perante abusos. Essa imagem não é inteiramente precisa. Havia tensões e episódios de violência, mas as comunidades também desenvolveram mecanismos para conter e moderar os abusos. O direito, um sistema judicial emergente e instituições como a “Paz e Trégua” ajudaram a limitar os impulsos repressivos do poder feudal.

Antes do estabelecimento da co-senhoria e antes de o Bispo Pere Berenguer adquirir direitos comitais em 1033, vários bispos de Urgell tiveram fins traumáticos. São Ermengol morreu a 3 de novembro de 1035 num acidente durante os trabalhos na ponte de Bar. O seu imediato sucessor, o Bispo Guillem Guifré, foi assassinado em Pallars em 1075 por “prophani homines” não identificados; havia sido previamente acusado de matar o Visconde Folc de Cardona, pelo que não se pode excluir a vingança.

Bernat de Vilamur, já senhor de Andorra, parece ter sido assassinado em 1203. Os condes de Foix também sofreram mortes súbitas e suspeitas. Roger III de Foix morreu em circunstâncias estranhas durante uma caçada; Anton Fiter relata que, após caçar com a sua mulher Ximena, comeu um pequeno pedaço de paté de javali, caiu da sua cadeira e morreu subitamente — a data deste relato varia e a morte pode ter ocorrido mais tarde, por volta de 1148.

O envenenamento foi um tema recorrente na linhagem de Foix: Francis Phoebus morreu em 1483, alegadamente envenenado, e havia havido uma tentativa anterior contra Gaston Phoebus. Jeanne d’Albret, a co-princesa calvinista, dizem que morreu em 1572 após calçar luvas envenenadas.

Assassinatos políticos mais amplamente conhecidos seguiram-se em séculos posteriores. O Rei Henrique IV — o primeiro rei francês a servir como co-príncipe de Andorra — foi esfaqueado por François Ravaillac em 1610 enquanto viajava de carruagem na rue de la Ferronnerie. Luís XVI encontrou o seu fim pela guilhotina em janeiro de 1793, executado pelo carrasco público Sanson na Place de la Bastille.

Comparados com esses episódios, os nossos tempos parecem notavelmente calmos.

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Fontes originais

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