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Cultura·

C215 leva retratos em estêncil de defensores dos direitos humanos a Espai Caldes

O artista de rua francês Christian Guémy (C215) exibe uma ampla seleção dos seus retratos em estêncil no Espai Caldes, em Escaldes-Engordany.

Sintetizado a partir de:
Altaveu

Pontos-chave

  • Exposição no Espai Caldes apresenta retratos em estêncil de C215 de pessoas ligadas a direitos humanos e liberdade de expressão.
  • Retrato de Samuel Paty é a obra central, simbolizando a defesa da liberdade académica.
  • C215 vai realizar ateliers e apresentar um livro sobre a sua técnica de estêncil em camadas e prática em espaço público.
  • Processo do artista: fotos digitalizadas e vetorizadas, estênceis cortados camada a camada no estúdio, tinta aplicada na rua; temas incluem memória e responsabilidade cívica.

Christian Guémy, conhecido como C215, trouxe uma ampla seleção dos seus retratos em estêncil para o Espai Caldes, em Escaldes-Engordany. A exposição reúne rostos que pintou em paredes por toda a Europa e destaca figuras envolvidas em lutas pelos direitos humanos e pela liberdade de expressão; o retrato do professor Samuel Paty é apresentado como peça central, simbolizando a defesa da liberdade académica meses após a censura de uma capa do Charlie Hebdo nas mesmas paredes.

Além da exposição, C215 oferece ateliers para jovens e adultos e vai apresentar um livro na livraria Moby Dick que explica a sua técnica de estêncil e compila alguns dos retratos que fez em espaço público.

Guémy diz que desenhar foi instintivo desde a infância: a sua mãe desenhava e deixou os seus cadernos de esboços após a morte precoce quando ele tinha cinco anos, e os avós incentivaram-no a continuar. Começou a trabalhar com estênceis em 2006 para poder pintar rapidamente e sem autorização em espaços públicos, mantendo a precisão do estúdio. O seu método de trabalho parte de fotografias que digitaliza e vetoriza, depois corta cada camada de estêncil com bisturi no estúdio; a aplicação da tinta na rua é o passo final.

Lista influências amplas e variadas, desde pintores Românticos e Clássicos ao Barroco do século XVIII, e nomeia artistas como Yves Klein e membros do grupo Blue Rider como Franz Marc e Kandinsky. Cita também pioneiros da arte urbana, de Ernest Pignon a Banksy, e nota a influência da poesia nos movimentos artísticos — por exemplo, o papel de Apollinaire no Cubismo.

Guémy relata que o seu trabalho começou a atrair atenção cedo: equipas ligadas a Banksy e outros artistas de Bristol identificaram-no e, em 2007, ofereceram visibilidade e encomendas. Diz que a procura inicial por profissionalismo imediato e rapidez entrava em conflito com a sua preferência por uma maturação artística mais lenta.

Escolhe os temas de acordo com o contexto, em vez de um programa fixo. Os seus retratos interagem com o lugar e o momento, respondendo a temas que o atraem num dado momento. Embora tenha retratado pessoas que sofreram abusos relacionados com raça, género ou fé — nomes como Samuel Paty, Robert Badinter e Christiane Taubira surgiram —, rejeita reduzir a sua obra a uma lista temática única.

A memória tem um papel na sua prática, em parte porque estudou História, mas o seu trabalho contém também elementos mais leves e lúdicos e uma reflexão contínua sobre a cidadania. Guémy argumenta que a arte urbana, por ser pública e de acesso livre, carrega uma responsabilidade cívica e é difícil de separar da mensagem social. Ao mesmo tempo, reconhece que muitos artistas optam por trabalhos decorativos ou pop para ganhar a vida; descreve essa tendência como uma concessão ao comércio e uma forma de «pirataria» do espaço público, reconhecendo que os artistas têm liberdade para seguir caminhos diferentes.

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