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Cultura·

Carmen Linares inaugura ClàssicAnd com El amor brujo sinfónico

Aclamada cantora de flamenco estreia em Andorra no festival de Ordino, interpretando a obra-prima de Manuel de Falla com a Orquestra Nacional del Camp d'Andorra.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • Linares atua *El amor brujo* sinfónico no Auditori de la Vall d'Ordino, marcando a primeira atuação da ONCA sob nova direção.
  • 150.º aniversário de Falla; obra originalmente para a cantora de flamenco Pastora Imperio.
  • Cantora com mais de 30 anos como Candelas traz liberdade nuançada, creditando o génio de Falla.
  • Elogia Caballé e ONCA; exorta jovens artistas a memorizarem a partitura e abraçarem o flamenco sinfónico.

Carmen Linares vai inaugurar o festival ClàssicAnd este sábado em Ordino, interpretando uma versão sinfónica de *El amor brujo*, de Manuel de Falla, no recém-inaugurado Auditori de la Vall d'Ordino. O evento assinala o 150.º aniversário do nascimento do compositor e conta com a Orquestra Nacional del Camp d'Andorra (ONCA) na sua primeira atuação sob nova direção, após a saída do anterior diretor, Gumí. O maestro catalão Josep Caballé Domènech dirige a orquestra.

A aclamada cantora de flamenco expressou entusiasmo por estrear em Andorra neste prestigiado festival. «Morrer sem ter ouvido *El amor brujo* pode não ser um pecado, mas é certamente uma grande pena», disse ao *Bon Dia*, sublinhando o estatuto da obra entre as peças essenciais. Falla, que descreveu como um dos grandes compositores universais do século XX, inspirou-se diretamente no flamenco para o bailado, originalmente escrito para a cantora Pastora Imperio.

Linares, que interpreta a personagem principal Candelas há mais de três décadas, notou como a sua abordagem evoluiu com a experiência. Embora o tom vocal se mantenha consistente, anos de atuações com vários maestros trouxeram maior segurança e liberdade para explorar nuances, sempre respeitando o tempo orquestral. «O mérito pertence a Falla», afirmou. «É uma obra-prima e, com material tão forte, é fácil dar o melhor de si.»

Destacou uma mudança na prática interpretativa desde a sua revival em 1988 da versão original *Gitanería en un acto y dos cuadros* em Sevilha, que incentivou os diretores a preferirem cantaoras de flamenco a cantoras líricas. Os artistas mais jovens seguem agora esse exemplo, beneficiando desses precedentes.

Antes de um único ensaio, Linares elogiou o talento de Caballé e a qualidade da ONCA, confiante de que se integrarão perfeitamente. Exortou os aspirantes a performers a abordarem o papel com respeito mas sem medo, memorizando a partitura — uma necessidade para artistas de flamenco pouco habituados a ler música — e a saborearem a rara oportunidade de cantar com uma orquestra sinfónica completa.

A veterana de 50 anos sublinhou que as atuações em palco continuam transformadoras, nunca rotineiras, exigindo ligação emocional com o público. A sua atuação segue a de Miguel Poveda no festival do ano passado, sublinhando a presença crescente do flamenco no ClàssicAnd como forma de arte aberta e universal que enriquece o programa.

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