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Cultura·

Comerciante andorrano vence concurso de presépios com humilde cena familiar

O modesto presépio de argila não pintada de Carles Magdaleno Tressera, de 76 anos, na sua loja de licores Cava Benito, ganha o primeiro prémio em Stella Mons.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Presépio vencedor do falecido familiar Lúcio Sánchez com figuras de argila não pintadas, a enfatizar simplicidade significativa.
  • Prémio em dinheiro doado à associação de caridade Autea para apoio aos necessitados.
  • Preserva tradições como a feira de Santa Llúcia em Barcelona e os caganers, agora partilhadas com o neto.
  • Cava Benito celebra 70 anos na quarta geração após o dono abandonar sonhos de arquitetura.

Carles Magdaleno Tressera, um comerciante de 76 anos originário de Terrassa que vive em Andorra desde os 23 anos, venceu um concurso de presépios organizado pela Stella Mons com uma modesta exposição na sua loja de licores, Cava Benito.

O presépio vencedor, criado pelo pai do seu falecido genro, Lúcio Sánchez, apresenta figuras de argila feitas à mão e deixadas sem pintar. «Quando se olha para ele, pensa-se 'isto não é grande coisa'», disse Magdaleno Tressera, «mas a arte não tem de ser espectacular ou ostensiva para ser expressiva. É um presépio simples, mas cheio de significado, e eu mantenho-o sempre na loja.»

Não planeava participar no concurso, mas foi convencido a fazê-lo. O prémio em dinheiro será doado à Autea, uma associação que apoia os necessitados. «Temos de apoiar grupos que dedicam tempo e esforço a ajudar os outros», acrescentou.

Para Magdaleno Tressera, o presépio preserva tradições em declínio. Recordou as visitas de infância à feira de Santa Llúcia em Barcelona, a montar presépios a 13 de dezembro e a mantê-los até à Candelária a 2 de fevereiro. Hoje, constrói-os com o neto, que gosta de colocar os caganers — figuras catalãs tradicionais que defecam.

A Cava Benito, rodeada por caves, vinhos e licores, acolhe também todos os anos o presépio residencial mais tradicional de Andorra, completo com paisagens de cortiça, montanhas e figuras clássicas.

Este ano celebra-se 70 anos do negócio familiar, agora na quarta geração. Abriu em 1956 sob o avô da sua mulher, continuou com a mãe dela, depois Magdaleno Tressera e a mulher Maribel, e agora o filho Jordi.

Originalmente aspirante a arquiteto, começou os estudos mas abandonou-os no meio do tumulto de Espanha nos anos 1970. A polícia nacional fechou duas vezes a faculdade e as isenções de serviço militar foram revogadas para quem não tinha contactos, frustrando os seus planos. Encontrou então Maribel, casou-se e mudou-se para Andorra. «Nunca se sabe para onde a vida nos leva ou no que acabamos por fazer», refletiu.

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