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Cultura·

Contrabandistas andorranos de liberdade da II Guerra inspiram nova onda cultural

Sucesso estrondoso de *La passadora* impulsiona filmes e romances como *Frontera* de Judith Colell e *Qui salva una vida* de Núria Cadenas, baseado na família dela.

Sintetizado a partir de:
AltaveuDiari d'AndorraBon Dia

Pontos-chave

  • Filme *Frontera* de Judith Colell estreou; romance *Qui salva una vida* de Núria Cadenas baseia-se na rede de fuga da Cerdanya do seu bisavô padre.
  • Apresenta figuras reais como os padres Jean Ginoux, o militante Melitó Sala, a enfermeira Freidel e a vendedora de bilhetes de cinema Rosita.
  • Cadenas mistura história com diálogos imaginados, destacando 'pessoas comuns' que escolheram a humanidade face à indiferença generalizada.
  • Liga a resistência da II Guerra à solidariedade moderna, após obras anteriores como *La passadora* que reacenderam o interesse.

Uma vaga de obras culturais está a destacar os contrabandistas andorranos de liberdade da Segunda Guerra Mundial, na sequência do sucesso estrondoso de *La passadora*, de Laia Perearnau. Destaques recentes incluem o filme *Frontera*, de Judith Colell, que estreou na passada sexta-feira mas sem exibição prevista no Illa Carlemany, e o romance *Qui salva una vida*, vencedor do Prémio Proa, de Núria Cadenas, apresentado na quinta-feira à noite na livraria La Trenca pela autora e Albert Villaró.

Nativa de Barcelona, nascida em 1970 e residente em Valência há mais de 25 anos, Cadenas baseia o livro na história da sua família. Segue o seu bisavô Joan Domènech, padre em Puigcerdà nos anos 1940, que ajudou a criar uma rede de evasão pela Cerdanya. Este esforço ligou civis de ambos os lados da fronteira invisível, incluindo o padre de Dorres Jean Ginoux, o militante comunista Melitó Sala de Ix, que morreu em Neuengamme, a enfermeira austríaca Freidel, que salvou dezenas de crianças do campo de Rivesaltes, e Rosita, vendedora de bilhetes de cinema em Puigcerdà conhecida pelo seu cheiro a chocolate. A narrativa inclui ainda figuras como o bispo de Urgell e o Co-Príncipe, além de eventos documentados como a agressão a Domènech por um ex-membro da Gestapo na igreja de Organyà.

Cadenas retrata estas pessoas como "pessoas comuns sem qualidades heroicas especiais que, no momento crítico, escolheram a humanidade." Mistura facto e ficção como uma "vampira" da realidade — imaginando diálogos enquanto mantém a essência histórica e evita heróis ou vilões unidimensionais. A história sublinha a coragem quotidiana face à indiferença generalizada, incluindo atrocidades como a destruição da aldeia de Balmanya por alemães e milícias de Vichy, a hasta pública de bens saqueados e as comunidades a evitar familiares de detidos. Ainda assim, persistiram sinais, como comida anónima deixada à porta de detidos.

Em entrevistas, Cadenas ligou a história ao presente: "Não nos podemos dar ao luxo de desprezar o bem comum." Pessoas comuns arriscaram tudo por desconhecidos, fomentando esperança contra o individualismo — ecoado na solidariedade durante catástrofes como as cheias DANA. Os resistentes surgem como falíveis mas dignos, as suas ações um lembrete de que "pessoas como eu e você" podem dar um passo em frente em tempos sombrios.

Esta vaga assenta em obras anteriores como *Pau dins la guerra* (1970), de Norbert Orobitg, *Entre el torb i la Gestapo* (1974, adaptado para TV), de Francesc Viadiu, *La princesse de Sant Julià*, de Hughes Lafontaine, *Boira negra a Barcelona*, de Jordi Arbonès, *Els aliats de la nit*, de Roser Caminals, e *La llarga migdiada de Deu*, de Pep Coll. Sucessos recentes como *El andorrano*, *La passadora* e *El fred que crema*, de Agustí Franch (agora filmado), impulsionaram o momento. Cadenas notou a fronteira permeável da Cerdanya, onde os locais ignoravam linhas até a guerra as impor — uma vez até enganando alemães para Les Escaldes, em Andorra, para proteger um contacto num sanatório.

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