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Cultura·

A maioria dos patrimónios de Andorra sem perímetros de proteção legal

Apenas 19 dos cerca de 70 monumentos listados como BIC têm zonas de proteção legalmente definidas, dizem as autoridades, limitadas por recursos escassos e uma reforma de 2014.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraEl PeriòdicAltaveu

Pontos-chave

  • Apenas 19 dos cerca de 70 monumentos BIC têm perímetros de proteção legalmente estabelecidos.
  • A lei do património de 2003 fixou prazo de dois anos, mas o serviço de património faltava pessoal técnico para completar delimitações.
  • Reforma de 2014 cortou raios de precaução de 100 m para 20 m e transferiu gestão da zona-2 para as comuns; só quatro bens finalizados desde então.
  • Sant Miquel d’Engolasters e Sant Joan de Caselles iniciaram procedimentos de proteção para candidatura UNESCO planeada.

Susanna Vela, conselheira-geral do Partido Social Democrata e antiga ministra da Cultura, afirmou que definir perímetros de proteção legal à volta dos patrimónios listados de Andorra se tornou «uma dificuldade extrema». Segundo Vela, apenas 19 dos cerca de 70 monumentos da lista de bens d’interès cultural (BIC) têm atualmente zonas de proteção legalmente estabelecidas.

Vela recordou que a lei do património de 2003 incluía um anexo com os bens a proteger e dava ao Governo dois anos para delimitar os perímetros de proteção. Disse que, embora esse prazo fosse realista em 2003, duas décadas de expansão urbana chegaram agora aos arredores imediatos de muitos monumentos, tornando as delimitações e adaptações muito mais difíceis.

Os obstáculos são técnicos e sociais. Vela destacou a necessidade de negociar com os proprietários afetados e de os convencer a realizar melhorias nos edifícios para os tornar compatíveis com os monumentos próximos. Reconheceu também lacunas na lei original: o serviço de património não dispunha de pessoal técnico suficiente para gerir os processos longos e complexos necessários.

Vela apontou uma reforma de 2014 como um revés adicional. Essa alteração eliminou os raios de precaução provisórios de 100 metros e reduziu-os para 20 metros, uma mudança que, segundo ela, dificulta mais a proteção dos edifícios envolventes; por comparação, os raios de proteção em França podem atingir 500 metros. A reforma de 2014 transferiu também a responsabilidade pela gestão da zona de acompanhamento 2 para as comuns. Vela descreveu essa mudança como «um grande erro», notando que a reforma foi promovida por três comuns e que, desde a sua aprovação, apenas quatro bens tiveram as suas zonas de proteção finalizadas. Disse que o Conselho de Estudos de Património tinha alertado contra a reforma na altura.

Os locais mais recentes a iniciar o processo de proteção, ainda em período de reclamações públicas, são as igrejas de Sant Miquel d’Engolasters e Sant Joan de Caselles. Ambas estão previstas para inclusão numa candidatura da UNESCO sobre a origem da Coprincipado, a submeter em janeiro próximo. Zonas de proteção mais antigas foram finalizadas para a Casa de la Vall e a igreja de Sant Esteve.

Vela defendeu que são necessários mais recursos humanos e técnicos para completar as proteções previstas na lei de 2003 e que o prazo original de dois anos pode ter sido excessivamente otimista face ao trabalho envolvido.

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