Decreto catalão proíbe escalada no Roc del Rumbau para proteger pinturas pré-históricas
A medida provoca forte reação de escaladores e autarcas locais, que alertam para graves consequências económicas e criticam-na como desproporcionada face à ausência de danos comprovados no local.
Pontos-chave
- Decreto cria zona protegida à volta do sítio arqueológico do Roc del Rumbau, apoiado por peritos do património.
- Proíbe escalada, campismo, fogueiras; oposto por escaladores que citam falta de provas de danos e prejuízo económico para Peramola.
- Vereador local Toni Mas Buchaca considera proibição desproporcionada, pede rejeição e diálogo.
- Destaca disparidade com outros locais que permitem turismo de massas perto de pinturas semelhantes.
Um decreto do governo catalão proibiu a escalada, o campismo e as fogueiras na área protegida à volta do Roc del Rumbau, uma formação rochosa no município de Peramola conhecida pelas suas pinturas rupestres pré-históricas.
A medida, delineada no decreto da Generalitat, cria uma zona de proteção para o sítio arqueológico, que inclui arte rupestre. Pareceres favoráveis do Conselho Consultivo do Património Cultural Catalão e do Institut d’Estudis Catalans apoiaram a decisão, sem objeções apresentadas durante o processo.
A proibição provocou forte oposição de escaladores e políticos locais, dado o estatuto do local como destino internacional de topo para escalada que atrai atletas de elite. Peramola abriu recentemente uma instalação interior de escalada para promover o desporto e apoiar o treino em mau tempo.
Toni Mas Buchaca, vereador do Compromís e responsável local, apresentou uma resolução para o conselho municipal rejeitar a proibição da escalada. Ele alerta para um impacto económico potencialmente «devastador», notando que a escalada em Oliana e Peramola impulsiona um turismo sustentável e o ano todo que enche alojamentos e lojas.
Mas argumenta que a atividade ocorre em setores sem contacto físico com as pinturas rupestres de alta altitude ou separadas, e nenhum relatório técnico demonstra danos ao longo de décadas. Critica a decisão como unilateral do departamento da cultura, sem input da câmara municipal ou partes interessadas locais, e aponta uma «flagrante» disparidade: enquanto a escalada é proibida aqui apesar de não haver contacto, infraestruturas de betão e turismo de massas operam perto de pinturas em El Cogul (Lleida), um sítio com proteções idênticas BCIN e UNESCO.
Sem o acompanhamento informal dos escaladores, acrescenta, o local arrisca vandalismo e negligência. Mas classifica o decreto como «desproporcionado, injustificado e arbitrário», instando à rejeição total e diálogo com o conselho, a Federação de Entidades de Caminhada Catalãs (FEEC) e escaladores para elaborar um plano de gestão que equilibre a proteção do património e o desporto.
Sugere também um eventual recurso ao Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC). Por enquanto, a escalada continua normalmente, em meio a crescentes preocupações dos escaladores.
Fontes originais
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