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Cultura·

Diretor do ClàssicAnd Rechi apela à paciência de oito anos para o sucesso do festival de Andorra

Joan-Anton Rechi, novo líder da ONCA, avisa que o festival de música clássica de Andorra precisa de pelo menos oito anos para amadurecer, comparando com grandes eventos.

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Pontos-chave

  • ClàssicAnd custa 900 mil €/ano, atraiu 4000 espetadores (92% capacidade) no ano passado.
  • Rechi pede 8+ anos para construir sucesso como os festivais de Aix-en-Provence.
  • Planeia concertos mensais da ONCA num auditório de 400 lugares com núcleo + contratações por projeto.
  • Descarta preocupações com conflitos; visa óperas e locais patrimoniais para expansão.

Joan-Anton Rechi, diretor artístico do ClàssicAnd e recém-nomeado líder da Orquestra Nacional Clàssica d'Andorra (ONCA), apelou à paciência na construção do festival de música clássica de Andorra, alertando que são necessários pelo menos oito anos para consolidar o seu sucesso.

Numa entrevista, Rechi expressou grande entusiasmo pelo ClàssicAnd, que entra agora na sua quarta edição e que considera a semente de grandes eventos como os festivais de Aix-en-Provence e Avignon. Cada edição custa 900 mil euros, com a assistência do ano passado a atingir 92% da capacidade — cerca de 4000 espetadores, 60% locais e o resto turistas. Enfatizou que ainda é possível crescer em número de público, duração do calendário e âmbito artístico, incluindo mais óperas e o uso de locais patrimoniais de Andorra para além do Auditori de les Valls.

Rechi defendeu a combinação dos dois cargos, notando que a presença da ONCA desde o início do ClàssicAnd torna a parceria natural. Descartou preocupações com conflitos de interesses, apontando que programar a sua própria produção, *Combattimento* — já encenada em Peralada e Sevilha —, está alinhado com as práticas standard da ópera. A programação deste ano inclui também uma *Carmina Burana* em digressão para equilibrar a logística.

Para a ONCA, Rechi planeia uma série mensal de concertos no Auditori com 400 lugares, preenchendo uma lacuna de longa data. Ao contrário dos efetivos fixos do passado, a orquestra agora baseia-se num núcleo permanente mais contratações por projeto, tornando-o viável. Visa atrair 400 espetadores por concerto com programas apelativos, reconhecendo que os resultados demorarão tempo.

Rechi, que dirige cinco a oito óperas por ano no estrangeiro, espera reduzir para cerca de cinco para gerir os projetos de Andorra sem abandonar a carreira internacional, apoiado em chamadas de vídeo. O seu contrato com o ClàssicAnd renova-se anualmente, com todas as partes — incluindo administrações e patrocinadores — comprometidas com a continuação face ao aumento da assistência.

Alertou contra a impaciência, citando iniciativas andorranas passadas como as com Yepes ou a Temporada de Música i Dansa que falharam prematuramente. O ClàssicAnd, argumentou, oferece benefícios económicos mais amplos através do turismo cultural, impactando a hotelaria e mais áreas, com um custo por espetador de 225 euros comparável aos festivais globais. O sucesso exige agora uma visão de 25 anos, disse, pois parar após quatro edições desperdiçaria os investimentos.

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