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Cultura·

Float de Carnaval na Andorra com Estrela de David de Netanyahu Desencadeia Polémica Antissemita

Um float satírico em Encamp que retrata o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu com uma Estrela de David como rei enforcado provoca reação da comunidade judaica da Andorra.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveuBon DiaARAEl Periòdic

Pontos-chave

  • Float em Encamp mostrou Netanyahu como rei com Estrela de David, 'enforcado' em sketch satírico contra conflito na Gaza.
  • Líder judeu Isaac Benchluch chamou-lhe 'grave insulto' antissemita, exigindo desculpas explícitas.
  • Organizadores dizem que era sátira política, não anti-judaica, lamentando mal-entendidos.
  • Sem queixas formais; efígie roubada em rivalidade de Carnaval, autoridades pedem sensibilidade.

Um float de Carnaval em Encamp que retrata o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu como o rei de Carnestoltes, com uma Estrela de David no rosto, provocou duras críticas da comunidade judaica da Andorra por ser antissemita, enquanto os organizadores insistem que se tratava de sátira política contra o conflito na Gaza.

A efígie apareceu num sketch satírico a 14 de fevereiro durante as festas de Carnaval em Encamp, que ridicularizavam líderes internacionais e o aumento global da política de extrema-direita. Mosqueteiros dispararam contra a figura numa tradicional simulação de enforcamento, com fotografias partilhadas nas redes sociais pela Comissão de Festas de Encamp. As imagens chegaram à comunicação social israelita sem o contexto completo, levando a relatos internacionais que retrataram a Andorra negativamente.

Isaac Benchluch, presidente da Associació Cultural Israelita de les Valls d’Andorra (ACIV), descreveu a exibição como um «grave insulto» ao povo judeu, à religião e à história, argumentando que a Estrela de David numa figura enforcada simbolizava toda a comunidade. Chamou-lhe antissemitismo «totalmente denunciável», rejeitando a resposta da junta paroquial como insuficiente e exigindo desculpas públicas explícitas como «Pedimos desculpa, cometemos um erro». Benchluch referiu apoio do chefe de Governo Xavier Espot e do Síndico Geral Carles Sans, bem como uma chamada do embaixador de Israel em França, Joshua Zarka, mas sublinhou que os judeus andorranos — e não os israelitas — formam a comunidade local. Reconheceu possível desconhecimento no uso da bandeira de Israel, mas insistiu que símbolos religiosos eram injustificados, alertando que tais atos prejudicam a imagem da Andorra como nação tolerante. A ACIV não confirmou planos para queixas formais.

A Comissão de Festas emitiu um comunicado a esclarecer que o sketch criticava as políticas de Netanyahu e a guerra na Gaza, e não qualquer religião, povo ou Estado. Destacaram a tradição do Carnaval de sátira política simbólica, expressaram respeito por todas as fés e nações, e lamentaram as interpretações erradas. Os participantes reiteraram isto no Ball de l’Óssa de domingo, condenando os acontecimentos na Gaza e enfatizando o carácter teatral das fotografias, que não refletem posições oficiais.

A efígie desapareceu na noite de sábado, supostamente roubada pelos Arlequins de Canillo numa tradicional rivalidade paroquial. Queixas informais chegaram às autoridades de Encamp sob Laura Mas, ao Conselho Geral e ao governo, que confirmaram a ausência de participações formais mas transmitiram as preocupações ao conselho. As autoridades apelaram ao equilíbrio entre a liberdade de expressão e a sensibilidade para com grupos religiosos e étnicos, enquanto fontes indicam que a embaixada de Israel em Espanha e na Andorra poderá contactar a ministra dos Negócios Estrangeiros Imma Tor já na terça-feira.

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