Voltar ao inicio
Cultura·

Andorra estreia no Lletres Compartides com resultados mistos no primeiro intercâmbio

O programa em língua catalã incluiu Andorra pela primeira vez, com forte envolvimento escolar em Menorca mas baixa afluência pública num dos eventos.

Sintetizado a partir de:
El PeriòdicDiari d'Andorra

Pontos-chave

  • Lletres Compartides incluiu Andorra pela primeira vez, facilitando intercâmbio literário catalão transfronteiriço.
  • Miquel Àngel Adrover teve audiências públicas pequenas (≈5 e ≈9) mas relatou discussões profundas e participativas.
  • Mariona Bessa realizou numerosas sessões em escolas e bibliotecas em Menorca e anunciou dois romances futuros para leitores jovens.
  • Responsáveis dizem que o programa fomenta mobilidade, redes e atividade cultural nas comunidades de língua catalã.

O programa Lletres Compartides, que promove a literatura em língua catalã nos territórios de língua catalã, incluiu Andorra pela primeira vez este ano. O intercâmbio inicial reuniu a escritora andorrana Mariona Bessa e o poeta mallorquino Miquel Àngel Adrover, produzindo uma mistura de forte envolvimento educativo e dececionante afluência pública.

Adrover, vencedor do Prémio Miquel Bauçà de 2023 por Les cares de la cugula (AdiA Edicions, 2023), disse que a assistência nos seus dois eventos foi inferior ao esperado. Uma apresentação-recital numa livraria atraiu cerca de cinco pessoas, e uma conversa-recital no sábado à noite em Sispony atraiu cerca de nove. No entanto, descreveu os encontros como qualitativamente recompensadores: o formato participativo fomentou conversas profundas sobre a sua obra e questões culturais e linguísticas mais amplas, e defendeu a continuação do programa.

Durante a sua visita, organizada pelo ministério, Adrover participou em visitas guiadas a locais românicos como o Espai Columa e a Igreja de Santa Coloma. Elogiou o património de Andorra, mas expressou preocupação com o que chamou desenvolvimentos intrusivos na paisagem, notando justaposições inquietantes de edifícios históricos com construções comerciais e residenciais modernas. Disse também que o intercâmbio abriu debates sobre o uso e a defesa do catalão e relatou momentos de ser mal compreendido mesmo no seu hotel.

Em contraste, Bessa — a primeira autora do Principado a participar no Lletres Compartides — relatou uma receção muito positiva em Menorca. Descreveu a experiência como uma honra e participou em numerosas atividades educativas: visitas a escolas primárias e secundárias, sessões com grupos do sexto ano em CEIPs, um encontro com alunos do quarto ano de ESO e um evento de clube de leitura na biblioteca pública de Maó. As sessões focaram-se nos seus romances La captura, Torno en set dies e L’ascens dels rebels, combinando discussões de temas e do processo de escrita com workshops práticos sobre como escrever um livro e a estrutura de um romance.

Bessa destacou o valor do intercâmbio direto com os alunos, que partilharam opiniões sobre temas como as alterações climáticas e experiências pessoais, estimulando o pensamento crítico. Notou diferenças relacionadas com a idade na resposta — os alunos mais novos estavam mais abertamente entusiasmados, enquanto os mais velhos eram mais reservados mas ainda envolvidos — e disse que a planificação antecipada permitiu a muitas escolas incluir os seus livros nos currículos, o que enriqueceu as discussões. As manhãs foram tipicamente dedicadas a atividades educativas, deixando as tardes para visitas culturais pela ilha.

A visita permitiu também a Bessa anunciar que tem dois romances inéditos em preparação: Una qüestió d’orelles, inspirado no seu cão e abordando o abandono de animais e a responsabilidade dos donos, e Terra perit, também dirigido a leitores mais jovens. Acolheu a entrada de Andorra no Lletres Compartides, notando que o estatuto do país fora da União Europeia tinha anteriormente complicado a participação e que a inclusão era importante porque o catalão é uma língua oficial ali.

Os responsáveis falaram também positivamente da colaboração. Joan‑Marc Joval, diretor de Promoção Cultural, descreveu o programa como benéfico, concebido para circular autores — particularmente vozes mais novas — entre territórios e fomentar a mobilidade, redes literárias e atividade cultural nas comunidades de língua catalã.

Ambos os autores participantes sublinharam a importância cultural do Lletres Compartides e expressaram esperança de que edições futuras construam sobre esta primeira participação do Principado, ampliem o alcance do público e continuem a beneficiar criadores e leitores nos territórios de língua catalã.

Partilhar o artigo via