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Cultura·

Maria Larrea Lança Saga dos Órfãos Familiares na Livraria de Andorra

O romance traça as origens órfãs dos pais na Espanha da era Franco, adoção ilegal e sobrevivência em França, misturando temas de engano, autodescoberta e resiliência numa narrativa reflexiva.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • Pais de Larrea: Julián (Bilbao, 1943) e Victoria (Galiza), órfãos espanhóis que fugiram da pobreza de Franco para França.
  • Romance desvenda adoção ilegal basca de Larrea, paternidade falsa revelada pelo tarot.
  • Temas: orfandade, incesto, touradas, alcoolismo; tributo aos pais como heróis do século XX.
  • Planeia adaptação cinematográfica para 2027 após partilhar manuscrito com a mãe Victoria.

Maria Larrea, autora de *Les gens de Bilbao naissent où ils veulent*, encheu a livraria Moby Dick, em Andorra la Vella, no lançamento do seu livro, apresentado pela escritora Caroline Chemarin no âmbito da temporada cultural da Embaixada de França.

Chemarin descreveu a obra como um livro para reflexão, notando que a contracapa omitia vários prémios para além do Prix du premier roman, Prix des Inrockuptibles du premier roman e Prix du roman France Télévisions — prémios atribuídos por júris e organizações diversos.

Larrea explicou que escreveu o romance para responder às suas próprias questões e recompor a história da sua família, pagando tributo aos pais. Ambos foram órfãos espanhóis abandonados ainda bebés: Julián, nascido em junho de 1943 com uma trabalhadora do sexo em Bilbao e entregue aos jesuítas; e Victoria, deixada num convento na Galiza pela mãe, que regressou uma década depois mas nunca criou laços com a criança de beleza impressionante.

O casal encontrou-se já adultos, fugiu à pobreza da era Franco e emigrou para França. A própria Larrea foi adotada através de uma rede ilegal no País Basco. A sua história entrelaça temas de orfandade, engano, paternidade falsa, touradas, incesto, abortos, alcoolismo e autodescoberta numa narrativa densa.

"Sou espanhola mas cresci em França com pais analfabetos que escaparam à miséria do franquismo", recordou Larrea. A infância dura silenciou discussões sobre a pobreza ou a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), impulsionando-a a realizar curtas-metragens e a abraçar o tarot — seguindo a visão de Alejandro Jodorowsky de que é uma arte sagrada, um mapa do inconsciente e uma ferramenta terapêutica para a verdade, não um jogo comercial. As cartas revelaram que os supostos pais não eram biológicos.

Larrea chamou ao livro um bumerangue que regressa ao lançador, ou como *O Feiticeiro de Oz*. Começou como uma investigação biológica que rastreava os percursos de Julián e Victoria, perguntando como três órfãos espanhóis formaram uma família em França nos anos 1980 — uma tarefa quase arqueológica. Elogiou os pais como heróis que suportaram as dificuldades do século XX.

Após partilhar o manuscrito com Victoria, Larrea planeia uma adaptação cinematográfica para 2027, realizando a partir do seu próprio guião com o mesmo título.

O evento seguiu-se a uma sessão com alunos do Lycée Comte de Foix, organizada por Nathalie Saurat. Apesar do tema pesado, o livro revelou-se uma descoberta cativante para os participantes.

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Fontes originais

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