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Cultura·

Mulheres no Antigo Egito: Autonomia através da adoção destacada em palestra

Egiptóloga Anaïs Montoto examina papéis das mulheres através da história de herança da viúva Rennefer do século XI a.C. na série de palestras das Escaldes.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • Rennefer herdou toda a propriedade após adoção como filha pelo marido, contornando normas masculinas.
  • Mulheres egípcias tinham mais liberdade que pares gregas/romanas, mas sob tutela masculina.
  • Registos escassos, maioritariamente de homens de classe média; raras escribas, sacerdotisas femininas referidas.
  • Direitos das mulheres dependiam frequentemente de ações masculinas, não de igualdade legal.

A egiptóloga Anaïs Montoto vai explorar as vidas das mulheres no Antigo Egito esta noite no salão de reuniões do Comú d'Escaldes, como parte da segunda palestra da série "Del néixer al renéixer", que decorre até 21 de fevereiro no CAEE.

Montoto, nascida nas Escaldes em 1997, usa a história de Rennefer, uma mulher do século XI a.C. durante o reinado de Ramsès XI, para destacar os papéis das mulheres na sociedade faraónica. Casada com Nebnefer, Rennefer não tinha filhos. Antes da sua morte, o marido adotou-a como filha e nomeou-a sua principal herdeira, permitindo-lhe herdar e gerir livremente toda a sua propriedade — direitos tipicamente reservados aos filhos varões primogénitos.

Esta manobra legal, embora invulgar, sublinha aspetos chave do estatuto das mulheres. Embora as mulheres egípcias gozassem mais autonomia do que as suas congéneres gregas ou romanas — que raramente saíam de casa sem a companhia de um familiar varão —, viviam geralmente sob a tutela masculina. Uma mulher era identificada como filha do pai, esposa do marido ou mãe do filho mais velho, especialmente após ficar viúva. Os homens, pelo contrário, não precisavam de tais qualificadores; um indivíduo como Amenhotep surgia sozinho nos registos.

Os textos preservados, maioritariamente de uma minoria de classe média como os trabalhadores reais de Deir el-Medina, centram-se predominantemente nos homens, com muito menos referências às mulheres. Esta documentação provém de registos censitários e inscrições, pois 95% da população — agricultores e artesãos numa economia de troca — não deixou vestígios escritos.

As famílias eram nucleares ou extensas, incluindo pais, filhos, tios, primos e servos domésticos. Raras exceções para mulheres incluíam uma escriba feminina documentada, sacerdotisas de templos ao lado de administradoras femininas e uma instituição funerária exclusivamente feminina.

A palestra de Montoto ilustra que, embora as mulheres por vezes pudessem exercer direitos de propriedade como os homens, tais oportunidades dependiam frequentemente da iniciativa masculina em vez de uma igualdade legal inerente. A vida como mulher no Antigo Egito não era ideal — a menos que se fosse Nefertiti —, mas oferecia vantagens sobre a Grécia clássica ou a Roma imperial.

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Fontes originais

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