Normas Familiares Rígidas do Antigo Egipto Exploradas em Palestra na Andorra
Conferência de Marc Orriols sobre a exposição 'From Birth to Rebirth' revela agregados heteronormativos, elevada mortalidade e rara abertura sexual no antigo Egipto.
Pontos-chave
- Famílias heteronormativas essenciais para herdeiros perante 50% de mortalidade infantil e rituais do além.
- Esperanças médias de vida: 28 anos para mulheres, 32 para homens devido a partos, trabalho, desnutrição.
- Poucas governantes como Hatshepsut; mulheres com estatuto superior a Grécia/Roma mas sem igualdade.
- Papiro de Turim retrata atos sexuais como conto oral humorístico, não manual; sem evidência de prostituição.
Marc Orriols inaugurou na quinta-feira à noite a série de palestras na Andorra complementar da exposição 'From Birth to Rebirth', aprofundando perspetivas egípcias antigas sobre estruturas familiares, papéis de género, sexualidade, maternidade, infância e envelhecimento.
Proferida às 19h no salão de conferências da comarca de Escaldes-Engordany, a palestra centrou-se num grupo escultórico familiar de Nikare para ilustrar agregados rigidamente heteronormativos — pai, mãe, filhos — sem espaço para outras identidades sexuais. Orriols notou que relações homossexuais eram marginalizadas porque não produziam herdeiros, cruciais para a sobrevivência perante 50% de mortalidade infantil e para rituais do além onde descendentes forneciam oferendas às tumbas. Numa sociedade sem tais conceitos, desvios eram improváveis e indocumentados, acrescentou. Atos homossexuais masculinos surgiam apenas como ferramentas de humilhação, como guerreiros penetrando analmente inimigos derrotados para os «feminilizar» e quebrar a masculinidade hegemónica; o penetrador mantinha-se heterossexual. Não existe evidência de lesbianismo.
A vida era brutal, com esperanças médias de vida de 28 anos para mulheres — encurtadas pelo parto perigoso — e 32 para homens, agravadas por desnutrição, infeções e trabalho extenuante para os 95% das classes baixas. Famílias numerosas compensavam estes riscos.
As mulheres gozavam de estatuto superior ao da Grécia ou Roma, mas sem igualdade. Em mais de 3000 anos, só quatro ou cinco governaram como reis — não rainhas —, incluindo Hatshepsut, Sobekneferu, Merneith e Cleópatra VII; Nefertiti foi apenas esposa real de Akhenaton. Viúvas enfrentavam isolamento social salvo se recasassem, frequentemente sepultadas nas tumbas dos maridos.
Representações sexuais eram raras e maioritariamente religiosas, como o deus criador Atum a masturbar-se para gerar os deuses do ar e da humidade Shu e Tefnut. O Papiro de Turim destaca-se com 12 cenas — nove coitais, incluindo atos heterossexuais vaginais e anais em posições variadas —, sugerindo prazer para além da procriação. Orriols rejeitou visões do mesmo como manual sexual ou guia de bordel, propondo antes um conto oral ilustrado ridicularizando a virilidade de uma personagem numa sociedade analfabeta.
A prostituição, conceito ocidental, carece de evidência no Egito antigo ou no Próximo Oriente, argumentou. Numa entrevista pré-palestra, Orriols enfatizou a perenidade deste modelo familiar desde 2400 a.C., ainda prevalente no mundo apesar de alternativas modernas, e lamentou tabus persistentes em torno do sexo face à abertura egípcia.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: