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Cultura·

‘Passos Previs’ de Tony Lara Captura Preparativos Ocultos da Sexta-Feira Santa na Andorra

O fotógrafo Tony Lara documenta uma década de trabalho nos bastidores para preparar esculturas religiosas de tamanho real para as procissões pascais da Andorra.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • Projeto começou há mais de 10 anos ao ver locais a limpar esculturas religiosas.
  • Evoluiu de 1 foto para 4000, selecionadas 134 para livro e exposição.
  • Revela momentos espontâneos de membros das irmandades em preparativos quotidianos.
  • Exposição no Centre Cívic El Passeig abre quinta-feira até 11 de abril.

O fotógrafo Tony Lara apresentou *Passos previs*, um projeto profundamente pessoal que captura os preparativos nos bastidores das procissões da Sexta-Feira Santa na Andorra ao longo de uma década.

A ideia ocorreu a Lara numa tarde de primavera há mais de dez anos, enquanto empurrava o carrinho do seu filho pequeno Quim. Viu locais a limpar as esculturas religiosas de tamanho real, ou *passos*, antes da procissão da Páscoa — uma visão que despertou o seu instinto profissional. «Isto dá uma foto», pensou. O que começou com uma única imagem evoluiu para cerca de 4000 fotos tiradas ao longo de dez Páscoas. Lara selecionou 134 para o livro e a exposição acompanhante.

Como fotojornalista familiarizado com a procissão pública desde a infância — «Eu cobria-a com as habituais quatro fotos» —, Lara interessou-se pelo seu lado oculto. Encontrou membros das irmandades em roupa quotidiana, com espanadores na mão, a conversar e a rir à luz do dia. «Era um espetáculo, a parte desconhecida de algo que todos conhecemos», disse. Ao regressar com a câmara, pediu autorização para documentar o trabalho deles, começando cedo uma manhã enquanto retiravam os *passos* do seminário.

Cada visita revelava mais: esculturas cobertas com plásticos, evocando pinturas expressionistas; irmãos a espreitar do exterior da irmandade Oriente num aceno ao costumbrismo; momentos de aspereza neorrealista, humor e ironia. As imagens mantêm um fio condutor coerente apesar da variedade, sem manipulação digital. Numa era de imagens geradas por IA, Lara defende este registo artesanal da vida real para a posteridade.

As irmandades acolheram-no, embora alguns questionassem inicialmente o interesse e se oferecessem para posar com trajes completos — algo que ele recusou. Habituaram-se à sua objetiva em espaços apertados como o armazém exíguo e meticulosamente organizado da irmandade Armats. «Todos contam a mesma história, mas é importante que cada um o faça à sua maneira», refletiu Lara. O seu acesso jornalístico produziu perspetivas únicas inacessíveis a observadores casuais.

O projeto inclui contexto histórico de Carles Gascón e um prefácio do colega fotógrafo Tino Soriano, cujo apoio Lara descreveu como uma grande honra. A exposição inaugura quinta-feira às 19h no Centre Cívic El Passeig e decorre até 11 de abril.

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Fontes originais

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