Voltar ao inicio
Cultura·

Carles Viarnès Atua Álbum Post na Andorra, Banda Sonora para Mundo Pós-Colapso

Pianista catalão Carles Viarnès apresenta o seu álbum *Post* no Teatre Comunal, imaginando música para um mundo após crises globais e promovendo a atenção plena.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveu

Pontos-chave

  • Álbum *Post* envisage banda sonora para cenários pós-colapso de crises económicas ou ambientais.
  • Faixas com prefixo 're-' simbolizam reconstrução; critica limites dos esforços eco-pessoais.
  • Instrumentos incluem piano, hyperorgan de Albert Blancafort, sequenciadores, sintetizadores e theremin ao vivo.
  • Viarnès expressa 'pessimismo realista' sobre crescimento imparável, prioriza alegria pessoal sobre comércio.

O pianista e compositor catalão Carles Viarnès atua o seu álbum *Post* no Teatre Comunal, em Andorra la Vella, na quinta-feira às 20:30, no âmbito da Temporada MoraBanc.

O projeto imagina uma banda sonora para o mundo após o colapso, seja por mudanças no poder global, crises económicas, falta de habitação ou desastres ambientais. Viarnès promove valores estéticos frescos e sensibilidade para contrabalançar o esgotamento do planeta pela humanidade, centrando-se em detalhes negligenciados e no regresso à contemplação atenta. As faixas começam maioritariamente com a sílaba "re", evocando reconstrução e repensar, enquanto criticam os limites dos esforços pessoais como "reduzir, reutilizar, reciclar" perante a poluição industrial. A abertura, "Labii", continua uma série das sílabas do hino de Guido d'Arezzo, ligando-se a notas em toda a discografia.

Misturando piano como instrumento central com hyperorgan, sequenciadores, sintetizadores e theremin ao vivo, a música cria diálogos em mutação: piano para a beleza, sintetizadores para a tecnologia implacável, órgão para o conhecimento acumulado. Estes papéis trocam-se para efeito experimental. O hyperorgan, construído pelo organista de Montserrat Albert Blancafort, usa tubos de madeira com controlo digital para sequências e velocidades invulgares. Viarnès planeia incorporar um terceiro modelo em trabalhos futuros.

Em entrevistas, descreveu um "pessimismo realista" perante a inércia global e a ambição humana pelo crescimento, que vê como quase imparável apesar dos esforços coletivos para evitar a crise. "Estamos todos a trabalhar para o prevenir, mas a inércia global e a ambição humana... parecem imparáveis", disse. Rejeita oferecer soluções filosóficas, mas destaca falhas como a ambição desenfreada, possivelmente inerente à própria vida. O álbum convida a sensações perdidas na pressa quotidiana, usando a direticidade da música para aceder a novos estados emocionais para além dos limites verbais.

Viarnès, com formação clássica na Escolania de Montserrat desde os quatro anos, adota um estilo íntimo e outsider. Desvaloriza ameaças da IA aos músicos, priorizando a alegria pessoal sobre o comércio. "Não encho grandes estádios nem faço isto por negócios — estou aqui para desfrutar e partilhar essa alegria", disse. O concerto inclui elementos extra-musicais subtis como cenografia de Marc Villanueva, reforçando a intimidade orgânica ao lado da programação clássica da temporada, incluindo Philippe Herreweghe.

Partilhar o artigo via
Carles Viarnès Atua Álbum Post na Andorra, Banda Sonora para Mundo Pós-Colapso | Alto