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Cultura·

Pilar Cortadella: Pioneira dos Direitos das Mulheres em Andorra

Da Espanha da era Franco à fundação da primeira associação de mulheres de Andorra, a vida de tenacidade e advocacia de Pilar Cortadella transformou o Principado.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Nascida na Espanha operária, frequentou curso superior aos 40 anos após entrada precoce no trabalho sob restrições de Franco.
  • Lutou pela carta de condução como símbolo de independência; mudou-se para a cosmopolita Andorra no final dos anos 70.
  • Primeira presidente da Associació de Dones d'Andorra (1994), liderou estudo sobre estatuto das mulheres financiado pela UNESCO.
  • Ativa na velhice: ginásio, voluntariado, mestrado, galeria, grupo de apoio ao cancro.

Pilar Cortadella irradia uma elegância natural, desde o cabelo curto bem arrumado e óculos geométricos até aos gestos graciosos e olhar franco. No entanto, a sua compostura provém menos do estilo do que de um otimismo pragmático e uma determinação inabalável, qualidades que definiram as suas contribuições para o panorama cultural e social de Andorra.

Numa entrevista na Art al set — a galeria que fundou há quase 20 anos, entre obras da artista Judit Gaset-Flinch —, Cortadella refletiu sobre uma vida de aproveitamento de oportunidades. Nascida em Sant Feliu de Llobregat numa família operária, o seu pai combatera no lado republicano na Guerra Civil Espanhola. Sem fundos para a universidade enquanto jovem, entrou cedo no mercado de trabalho, mas mais tarde frequentou um curso superior pela UNED no final dos quarenta, após a filha mais nova partir para a faculdade.

A independência foi uma prioridade arduamente conquistada na Espanha da era Franco, onde as mulheres precisavam da autorização do pai ou marido para uma conta bancária, um negócio ou uma carta de condução. Cortadella insistiu em obter a sua carta, vendo-a como essencial para a autonomia. Cumpriu o serviço social obrigatório — equivalente ao serviço militar para mulheres na secção feminina da Falange — e aprendeu a conduzir nos arredores de Barcelona no Renault 4L acinzentado-azulado da família. Com o pai, versado em mecânica mas sem carta, como passageiro, levava-o a clientes e fornecedores, servindo também de recadeira para poupar custos.

Ao chegar a Andorra com o marido, vinda da Espanha de finais do franquismo, encontrou o Principado surpreendentemente aberto e cosmopolita em comparação com Barcelona na altura — uma pequena porta para a Europa, incluindo viagens formativas a Paris. Nos anos 80, enquanto co-geria um hotel, identificou lacunas nos direitos das mulheres, como a necessidade de consentimento conjugal para negócios ou proibições da ligadura das trompas. Isso impulsionou-a a unir mulheres, levando ao seu papel como primeira presidente da Associació de Dones d'Andorra (ADA), formalmente constituída em 1994 pouco após a Constituição. O grupo preencheu vazios institucionais, oferecendo apoio a mulheres em distress — Cortadella mantinha lenços à mão para reuniões emocionais — e repreendia suavemente as faltas.

Entre os feitos de que mais se orgulha: liderar o primeiro estudo sobre o estatuto das mulheres em Andorra, garantindo financiamento da comissão andorrana da UNESCO, entidades públicas e privadas através de uma advocacia persistente e colaborativa. Ajudou a formar a ALBA, um grupo de apoio a doentes de cancro da mama, e mantém laços próximos com os seus membros.

Nos dias de hoje, Cortadella mantém-se ativa: sessões de ginásio na Caldea, voluntariado em línguas, caminhadas diárias, um mestrado para seniores na UIC-Barcelona, tarefas na galeria, avozinha a tempo parcial e cuidados ao marido doente. Faz caminhadas com o seu grupo de «matxaques» — caminhantes incansáveis de montanha —, esquia com um círculo de amigos e socializa com outro de antigos esforços políticos. Décadas após o 4L, continua a conduzir com a mesma confiança, improvável que lhe retirem a carta.

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Fontes originais

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