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Cultura·

Radio Andorra: Pirata vs Corsário nas Guerras do Rádio nos Pirenéus

O livro do historiador Sylvain Athiel revela a história secreta da Radio Andorra e rivais como a Sud Radio, lançadas durante a II Guerra Mundial para escapar ao controlo francês.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • Radio Andorra lançada em 1939 em Andorra para escapismo musical em meio ao controlo nazi/Vichy no rádio.
  • Hostilidade estatal francesa pós-II Guerra levou a rivais como Sud Radio para minar o seu sucesso.
  • Sud Radio cresceu nos anos 1960 com rock; ambas as estações fecharam em 1981 devido à transição para FM.
  • Athiel classifica Radio Andorra como 'pirata' e Sud Radio como 'corsário' com apoio estatal.

O historiador Sylvain Athiel compara a Radio Andorra a uma estação pirata e a sua rival francesa Sud Radio a um corsário no seu novo livro, *L'histoire secrète des grandes radios pyrénéennes*. A obra explora as origens e a história turbulenta destas emissoras pirenaicas, centrando-se no motivo por que o empreendedor Jacques Trémoulet lançou a Radio Andorra em Encamp no início da Segunda Guerra Mundial.

A Radio Andorra surgiu em 1939, numa altura em que as estações de rádio francesas estavam controladas pelos ocupantes nazis ou ao serviço da propaganda do regime de Vichy. Transmitindo do território neutro de Andorra, oferecia aos ouvintes música e escapismo, evitando notícias políticas. O seu sinal forte chegava longe num panorama radiofónico escasso, reforçado por vozes femininas calorosas e um encanto exótico de influência espanhola que atraía o público francês.

As autoridades francesas visaram a estação desde cedo, considerando-a uma evasão ao monopólio estatal de radiodifusão. A hostilidade intensificou-se após a guerra, sob o Presidente Vincent Auriol, antigo mayor de Muret, que ressentia o sucesso da Radio Andorra e as suas ligações ao jornal pró-estação *La Dépêche du Midi*. Athiel questiona se isso reflectia uma operação estatal para controlar ou afundar a estação, notando tensões pessoais e políticas.

A posição de Trémoulet durante a guerra mereceu escrutínio: ele navegou nas relações com as autoridades alemãs principalmente para proteger o seu negócio, embora a neutralidade de Andorra tenha impedido qualquer tomada de controlo. Rumores de espionagem para qualquer dos lados — sinalizando submarinos ou ajudando a inteligência britânica — permanecem por provar.

Os esforços franceses escalaram com a SOFIRA, que criou a Radio Monte-Carlo para influência no Mediterrâneo, seguida pela Andorradio, Radio de les Valls e Sud Radio. Athiel argumenta que estas foram apoiadas pelo Estado para minar a Radio Andorra, muitas vezes a um custo financeiro elevado e com viabilidade comercial duvidosa.

A Sud Radio ganhou terreno nos anos 1960 ao visar os jovens com rock 'n' roll e aproveitando transístores portáteis, enquanto as instalações envelhecidas da Radio Andorra em Encamp e Engolasters ficavam para trás. Ambas as estações fecharam em 1981, à medida que a tecnologia FM e o declínio da onda média se impunham, em meio a apelos andorranos por media nacionais como "Una ràdio andorrana".

Athiel considera a Radio Andorra "pirata" apenas simetricamente com a Sud Radio como "corsário" — esta última a desfrutar de patronato estatal. Ele rejeita alegações não comprovadas como a implicação de Trémoulet no assassínio do "Cas Clément" e imagina Trémoulet, que morreu em 1971, a planear um regresso. A moderna Sud Radio distanciou-se das suas origens, enquanto o antigo edifício da Radio Andorra em Encamp alberga agora serviços governamentais em vez do museu planeado.

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