Ràdio Valira: dos primeiros FM de Andorra a um grupo mediático
A nova monografia de Gualbert Osorio relata a fundação da Ràdio Valira em 1985, a sua programação e alianças, e como a liberalização do espetro em 1999 evoluiu.
Pontos-chave
- Fundada em 1985; emissões regulares começaram em jan. 1986 na 93.3 MHz como primeira estação FM de Andorra.
- Parceria nos anos 1990 iniciais com o locutor Luis del Olmo (20% do capital) trouxe Protagonistas e aumentou audiências e receitas publicitárias.
- Liberalização governamental em 1999 emitiu dez novas concessões, saturando o mercado e provocando preços predatórios.
- Ràdio Valira juntou-se à Cadena Pirenaica em 2006; monografia de Gualbert Osorio documenta as suas primeiras duas décadas.
Gualbert Osorio relata as duas primeiras décadas da Ràdio Valira numa nova monografia agora à venda. Fundada em 1985 e com emissões regulares a começar em janeiro de 1986 na frequência 93.3 MHz, a estação foi a primeira emissora FM em Andorra e surgiu das cinzas da Radio Andorra. Os seus fundadores, Josep Rabadà e Osorio, tinham adquirido os direitos da Radio Manresa para emissão em Andorra e contrataram grande parte do pessoal da nova estação entre ex-funcionários da Radio Andorra.
Nos primeiros anos de 1990, a Ràdio Valira sobreviveu a um período turbulento marcado pela chegada da Radio Nacional, com a qual partilhou até instalações entre 1991 e 1996. Osorio diz que a estação por vezes se sentiu como uma agência de emprego temporário para a RNA. O colapso do projeto CASS, que visava criar uma ampla rede regional, deixou um vazio que levou os proprietários da Valira a procurar parcerias. Convenceram o proeminente locutor Luis del Olmo a juntar-se à iniciativa: em troca de 20% do capital, a Ràdio Valira concordou em emitir diariamente o programa matinal Protagonistas de Del Olmo e pôde recorrer à programação das suas outras estações. O acordo impulsionou as audiências e as receitas publicitárias e permitiu até uma emissão anual a nível nacional do Protagonistas desde o Principado.
Esses anos trouxeram uma alta procura por publicidade e o que Osorio recorda como uma era de ouro para a rádio local. A estação desenvolveu programas notáveis como La guardiola, cobertura ao vivo de basquetebol incluindo a promoção ACB e a Taça Korac, cobertura dos Jogos dos Pequenos Estados em Chipre em 1989, Punt de lluna e La tertúlia. Os estúdios mudaram das instalações originais no Doctor Nequi para espaços mais profissionais no primeiro andar da Casa Felipó, herdados da Radio Andorra. A monografia recorda também os colaboradores e vozes que moldaram a estação: Michel Brard, Joan Carles Homs, Toni Hormigo, Manel Fabregat, Toni Corominas, Joan Domènech, Mari Carme Grau, Kiko Cavanilles, Jordi Ferrer, Joan Antoni Sarmiento e Noemí Rodríguez, que escreveu o prólogo do livro.
Osorio aponta um ponto de viragem em 1999, quando o governo de Marc Forné liberalizou o espetro radiofónico e emitiu dez novas concessões. Argumenta que a medida saturou o mercado, criou uma concorrência feroz e incentivou preços predatórios, tudo sem regulação suficiente. As rádios públicas e grandes serviços estrangeiros já ativos no mercado — RNE, Catalunya Ràdio, France Inter, France Musique e Ràdio Principat entre eles — combinados com os novos entrantes produziram o que Osorio chama um «banquete pantagruélico descontrolado», com os operadores locais a lutar por publicidade.
No final, a Ràdio Valira sobreviveu integrando-se na Cadena Pirenaica em 2006, fechando o capítulo das suas décadas «heróicas» independentes. O novo livro, apresentado na feira do livro de Organyà em setembro, oferece uma crónica de insider desse milagre radiofónico e empresarial: uma estação que começou como sucessora de emissoras regionais anteriores, ajudou a definir a FM andorrana e, quatro décadas depois, continua no ar dentro de um conglomerado mediático mais amplo.
Fontes originais
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