Voltar ao inicio
Cultura·

“Refugiats” inaugura-se em La Seu com histórias transfronteiriças de refugiados

A exposição “Refugiats” abriu no piso superior do Centro Cívico de La Seu, apresentando testemunhos pessoais e investigação de arquivo sobre montanha.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • A exposição “Refugiats” abriu no piso superior do Centro Cívico de La Seu, apresentando testemunhos pessoais e investigação de arquivo sobre montanha.

“Refugiats” abriu o piso superior do Centro Cívico de La Seu como um novo espaço expositivo. O curador Xavier Llovera diz que a exposição conta uma história em que ambos os lados da fronteira participam plenamente. A exposição estará patente até 14 de fevereiro.

A narrativa começa com o trágico destino de Isern Arnau, um agricultor de 25 anos de la Vansa que, ao tentar chegar a Andorra com um grupo de aldeões em fuga da guerra, colapsou perto do Pic de Claror. A 31 de outubro de 1938, um médico certificou a sua morte por asistolia causada pelo frio e exaustão; o corpo foi identificado pelo mayor episcopal Anton Tomàs Gabriel e sepultado em Escaldes. Esse episódio faz parte de *Refugiats. Andorra, país d’acollida*, que estreou no Cal Pal de la Cortinada e agora chega a La Seu.

A exposição ilustra como as histórias de pessoas que cruzam estas montanhas, fugindo de um ou outro conflito, estão entrelaçadas. Muitos dos refugiados mais afortunados encontraram abrigo em Andorra, especialmente os deslocados durante a Guerra Civil Espanhola. “Não os colocámos em campos de concentração; recebemo-los em nossas casas”, recordou Llovera.

A escolha de expor em La Seu foi deliberada: a autora dos textos da exposição, Roser Porta, e o historiador que desenvolveu grande parte da investigação para o projeto, Pau Chica, são ambos do Alt Urgell. Anna López, diretora do Espai Ermengol–Museu de la Ciutat, garantiu o piso superior do Centro Cívico para a exposição e supervisionou a conversão do espaço, que o mayor Joan Barrera disse que a sua equipa começou a reabilitar e completará com o apoio do programa Pla de Barris.

Llovera notou que o arco histórico em exibição começa “oficialmente” com a fuga do bispo Caixal para o Principado durante as Guerras Carlistas e continua através de ondas posteriores de deslocamento. Um êxodo notável envolveu residentes de direita de La Seu, que encheram hotéis andorranos e foram também acolhidos por amigos, familiares e conhecidos. Na altura, as instituições de Andorra eram limitadas — o Consell General tinha poucos poderes e havia apenas sete polícias no país inteiro — mas a realidade humana de pessoas a moverem-se através da fronteira criou histórias transfronteiriças emaranhadas.

O testemunho na exposição inclui a declaração judicial de 21 de outubro de 1941 de Carme Vidal, de Casa Arnau d’Ars, dada durante uma inquirição sobre um homem encontrado morto no Monte Cugoll entre Anserall e Sant Joan Fumat. Vidal recordou dois homens estrangeiros que vieram pedir comida no final de agosto; pagaram três pesetas. Tais relatos apontam para as muitas pessoas desconhecidas que vagueavam pelas montanhas em busca de abrigo, e para as mulheres — donas de casa e vizinhas — que foram muitas vezes as primeiras a ajudá-las. Uma secção da exposição presta homenagem a essas mulheres.

Barrera disse na inauguração que a memória é urgentemente necessária, especialmente agora, e descreveu a exposição como oportuna face aos esforços em curso para branquear o legado do ditador Franco. López sublinhou a relevância contemporânea da exposição: há refugiados hoje a viver na cidade. Dois convidados da Venezuela e da Colômbia partilharam as suas experiências na inauguração e continuarão a trabalhar com visitantes — especialmente grupos escolares — para fomentar a empatia pelo que significa tornar-se refugiado. O gabinete de Solidariedade da cidade e o serviço de Imigração do conselho distrital colaboraram na organização destas atividades.

A exposição apresenta também estatísticas recentes do Office for Asylum and Refuge of Catalonia: foram registadas 17.488 candidaturas em 2014. Llovera aponta para números do UNHCR que preveem até mil milhões de refugiados globalmente até 2050, uma projeção que sugere poder ser até conservadora.

Riquissimamente ilustrada, a exposição traça os momentos de pico em que os fluxos de refugiados através dos Pirenéus foram maiores, desde a Guerra Civil Espanhola até aos conflitos europeus mais amplos do século XX, incluindo as redes de fuga da Segunda Guerra Mundial. Os objetos em exibição incluem munições recuperadas como obuses da Batalha do Ebro e peças de metralhadoras; a exposição evoca também os riscos e a engenhosidade envolvidos no transporte desses itens e pessoas através da fronteira. A exposição permanece aberta ao público até 14 de fevereiro.

Partilhar o artigo via

Fontes originais

Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: