Voltar ao inicio
Cultura·

Teoria del ridícul de Nil Forcada Revela o Escritor Amaldiçoado de Andorra Mael Palau

Nesta busca metaliterária premiada, Forcada fabrica uma biografia remendada do autor fictício andorrano Mael Palau, rival literário.

Sintetizado a partir de:
Bon Dia

Pontos-chave

  • Teoria del ridícul vence prémio de ensaio literário, agora publicada pela Marinada.
  • Biografia fictícia de Mael Palau via cartas, diários e reescritas das obras de Morell.
  • Palau como exilado sem raízes e plagiador, morre obscuramente em 1993.
  • ecos de Bolaño e Vila-Matas; explora a escrita como arrogância e ridículo.

Nil Forcada regressa com *Teoria del ridícul*, uma busca metaliterária publicada pela Marinada que venceu o prémio de ensaio literário na Nit de la Literatura há dois anos, mas que só agora aparece impressa.

Conhecido dos leitores andorranos por *Tolls*, o seu romance de estreia no género de ficção, coescrito com Sara Reis sob o pseudónimo La Gata — que também mereceu um prémio Fiter i Rossell —, Forcada revela agora um estilo mais ousado. A nova obra ecoa os experimentos em forma de puzzle de Roberto Bolaño e Enrique Vila-Matas, bem como o romance de estreia de David Gálvez, *Cartes mortes*. Reúne um mosaico de documentos fabricados — cartas, artigos, entradas de diário, entrevistas e excertos de contos e romances — numa caçada biográfica a Mael Palau, apresentado como o primeiro e único escritor amaldiçoado de Andorra.

Palau surge como um excêntrico de vocações e fracasso total, impossível de fixar como génio incompreendido ou charlatão compulsivo. Forcada contrasta-o com Antoni Morell (1941-2020), o pai oficial da literatura andorrana e autor do monumental *Set lletanies de mort*, que também serve como tratado antropológico. Morell, argumenta Forcada, não deixou herdeiros verdadeiros entre os escritores ativos, nem literários nem espirituais. Contudo, no final da vida, flertou com o estatuto de outsider.

Palau obseda-se com Morell como rival: o mais velho como estadista e cronista conciso das brumas de Andorra, o mais novo como um vagabundo sem raízes cujos contos de ficção científica fervilham de plágio, auto-plágio e ligações febris. Impelido a superá-lo, Palau reescreve os romances de Morell num método testado em *La metamorfosi*, despojada da transformação de Gregor Samsa em escaravelho e estilizada à maneira do *Quixote* de Pierre Menard. *Set lletanies de mort* torna-se *Fata Morgana*; *Borís I, rei d'Andorra* vira *Esta lluvia*. A sua obra magna, a distopia de mil páginas *Grandalla*, imagina uma Andorra totalmente urbanizada de Runer a Baladrà. Permanece inédita, embora Forcada cite relatos de amigos e supostos manuscritos no Arquivo Nacional (ACA 7710 e 7711) — que os leitores são aconselhados a não procurar.

A vida de Palau desfez-se no exílio após partir de Andorra a meio dos anos 1960, na sequência de um incidente homossexual nebuloso com um amigo. Vagou pelo Chile, México, Saragoça e Vigo, com um breve regresso a Andorra, antes de morrer obscuramente em 1993, atropelado por um camião em Granada — inédito e quase esquecido. Num twist, Forcada posiciona-o como o herdeiro literário involuntário de Morell.

O autor chama ao livro uma "coca de recapte literária", cosida a partir de textos à mão para formar um artefacto coerente. Inclui referências a figuras como Leonardo Piglia e Jean-Luc Godard, ao lado de locais como Quim Torredà e Manel Gibert. O prefácio de Txema Díaz-Torrent avisa contra perder tempo com ele, mas Forcada insere joias, incluindo a visão de Palau sobre a escrita: um ato de arrogância, impostura e investigação do vazio, definido pela noção do ridículo.

Partilhar o artigo via

Fontes originais

Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao: