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Cultura·

Teoria del ridícul de Nil Forcada vence prémio de ensaio da Andorra como fraude literária ficcional

Ensaio premiado de Nil Forcada inventa o escritor andorrano Mael Palau através de textos e análises fabricados, explorando a escrita como farsa e imitação.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Livro fabrica vida e obras do inexistente escritor andorrano de ficção científica Mael Palau como antítese irónica de Morell.
  • Mistura textos, cartas e diários inventados com análise em voz académica neutra ao longo de nove secções.
  • Explora a escrita como 'farsa' e 'impostura' enraizada na arrogância e imitação, ecoando Borges e Cortázar.
  • Evoluiu de ideia inacabada, concluída em dois meses; prefácio fictício considera-o sem valor.

O *Teoria del ridícul* de Nil Forcada — um ensaio literário que também funciona como ficção elaborada — foi publicado pela Marinara após vencer o prémio de ensaio da Andorra em novembro de 2024.

O livro disfarça-se de exame académico de Mael Palau, um escritor andorrano fabricado, nascido no final dos anos 1940 e imaginado como contemporâneo de Antoni Morell. Forcada constrói a vida de Palau através de textos, cartas e diários inventados, misturando-os com análises das suas obras inexistentes. Figuras reais como Josep Maria Ubach, Toni Sala e Jan Arimany surgem como personagens ligadas à recuperação e reinterpretação textual.

Palau emerge como o antitético de Morell: um outsider sem um tostão que passa pouco tempo na Andorra, observando o Principado à distância com desapego irónico. Enquanto Morell se dedicava à ficção histórica, Palau supostamente perseguia a ficção científica. Forcada explicou o contraste: seriam «como o dia e a noite».

No seu cerne, a obra explora a escrita em si como farsa e imitação. «Todo o livro acaba por falar do ato de escrever e da farsa da escrita, o facto de estares sempre a copiar alguém», disse Forcada. Uma entrada fictícia de diário atribuída a Palau capta isto: a escrita nasce da «pura arrogância», uma «impostura» em que «a noção do ridículo nos constitui como indivíduos».

Forcada admite que Palau «nunca existiu», construindo a narrativa numa voz académica neutra em terceira pessoa ao longo de nove secções. Recorre a projetos inacabados, aos seus próprios textos e a claras referências a autores como Borges e Cortázar. Até o prefácio de Chema Díaz é apócrifo, considerando o livro sem valor.

O projeto evoluiu de uma ideia meio iniciada, concluída em dois meses para submissão ao prémio. Baseia-se na análise premiada anterior de Forcada sobre as histórias invulgares do poeta Manel Gibert. Um dos supostos textos de Palau partilha o título do livro, enquadrando a escrita como ridículo mediado.

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