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Cultura·

Estudo reclasse o 'Manual Digest' de 1797 como terceira versão revista e mais religiosa do Politar de Puig

O historiador Francesc Rodríguez demonstra que o manuscrito de 1797 deriva do rascunho de Antoni Puig e não do Manual Digest de Antoni Fiter, refletindo.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraBon DiaAltaveu

Pontos-chave

  • Manuscrito de 1797 doado ao Consell, restaurado, digitalizado e arquivado após preservação privada.
  • Análise textual conclui que o volume provém do rascunho de Puig, não do Manual Digest de Fiter.
  • A revisão adiciona ênfase clerical: dedicações, histórias expandidas de bispos, três imagens devocionais e um mapa.
  • Rodríguez pede uma edição comparativa sistemática dos rascunhos do Politar e versões do Manual Digest para entender as revisões.

O historiador Francesc Rodríguez apresentou o seu estudo no Consell General, demonstrando que um manuscrito de 1797, há muito intitulado El Manual Digest, não é uma cópia do Manual Digest de Antoni Fiter, mas uma terceira versão substancialmente revista e mais religiosa do Politar andorrà de Antoni Puig.

O manuscrito foi doado ao Consell em março por Jordi Alcobé, cônsul maior de Canillo, que o encontrou em 2008 após uma indicação da família Cal Regí em Prats e o conservou em sua casa durante 16 anos. Alcobé doou o volume na sua capacidade pessoal, com a condição de que fosse restaurado, digitalizado e estudado; o Consell financiou a restauração, e o manuscrito restaurado foi depositado no Arxiu Nacional d’Andorra e disponibilizado online. A apresentação, moderada pelo jornalista Andrés Luengo, acompanhou a publicação da monografia de Rodríguez sobre o volume.

A comparação textual de Rodríguez mostra que o manuscrito de 1797 deriva do próprio rascunho anterior de Puig e não do Manual Digest de Fiter. Identifica-o como um terceiro estágio após um rascunho inicial e o Politar canónico de 1763, e conclui que Puig se baseou especificamente num rascunho que surgiu em Paris em 1976. Os textos divergem no conteúdo e no vocabulário: por exemplo, o Manual Digest de Fiter refere-se aos Valls Neutres, um termo ausente do Politar de Puig.

O volume de 1797 preserva a estrutura do Politar, mas introduz adições notáveis e um maior ênfase clerical. Puig abre com uma dedicação à Virgem de Meritxell, expande as descrições dos copríncipes e bispos mais recentes — incluindo uma história alargada da Diocese de Pallars — e simplifica ou reformula passagens para as tornar mais didáticas. Rodríguez documenta também novo material visual: três ilustrações devocionais (incluindo Santa Maria d’Urgell, a Virgem de Meritxell e os três santos bispos Just, Ot e Ermengol) e um mapa que Rodríguez liga a um esboço de 1788 enviado a Francisco de Zamora, agora guardado em Madrid.

Rodríguez interpreta estas alterações como reflexo das convicções religiosas intensificadas de Puig no final da vida e do desejo de «atualizar» o Politar. Aponta também para pressões políticas contemporâneas — tensões com a França revolucionária, a linguagem crítica de Puig em relação aos revolucionários e um sede vacante de dois anos após a morte do bispo Josep de Boltas em 1795 — bem como para as ligações familiares de Puig a figuras políticas locais. Essas ligações familiares, incluindo relações que conectavam Puig à casa Cal Regí, podem explicar a preservação do manuscrito em mãos privadas.

Por que Puig intitulou o volume Manual Digest permanece incerto. Rodríguez e outros comentadores oferecem hipóteses — uma homenagem a Antoni Fiter, uma afirmação de autoria ou um esforço para harmonizar o Politar com a tradição do Manual Digest —, mas sem explicação definitiva.

Rodríguez defende uma edição comparativa sistemática que reúna os três textos de Puig (o Politar de 1763, o rascunho de Paris e o manuscrito de 1797) ao lado das várias versões do Manual Digest agora no arquivo nacional. Tal estudo crítico, argumenta ele, é necessário para compreender plenamente as revisões de Puig e as correntes políticas e intelectuais que moldaram Andorra no final do século XVIII.

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