Voltar ao inicio
Desporto·

FAF andorrana propõe reformas SAOE e fundo salarial para acabar com atrasos na Primera Divisió

Clubes de futebol andorranos enfrentam reestruturação corporativa obrigatória e novo fundo de proteção salarial para resolver atrasos persistentes em pagamentos a jogadores e staff, a partir de 2027-28 se aprovado quinta-feira.

Pontos-chave

  • Clubes da 1.ª divisão devem tornar-se SAOE até julho de 2027 para separar operações profissionais das de base e evitar má gestão.
  • Fundo de garantia salarial cobre até 3 meses de salários em atraso, até 1500 €/mês, financiado por FAF, clubes e afiliados.
  • FAF reterá pagamentos UEFA de clubes endividados para priorizar salários; período de carência para promovidos.
  • UEFA aumenta compensação por jogadores cedidos para seleções para 3845 €/jogo no ciclo 2024-2028.

A Federação Andorrana de Futebol (FAF) vai procurar aprovação para reformas financeiras abrangentes na sua assembleia geral de quinta-feira no Estádio de Encamp, visando os problemas crónicos de não pagamento que afetam jogadores e equipas técnicas na Primera Divisió. As medidas, se aprovadas, aplicar-se-ão a partir da época 2027-28.

Todos os clubes da primeira divisão devem transitar para estruturas empresariais Societats Anònimes d’Objecte Esportiu (SAOE) até 1 de julho de 2027, com equipas promovidas a ter um período de carência de um ano. A mudança visa separar as operações profissionais das atividades de base, esclarecer responsabilidades em casos de má gestão e travar vendas ilegais de clubes entre associações — práticas que a FAF denunciou ao Governo, mas que não pode aplicar diretamente. O Inter Escaldes e o FC Santa Coloma operam já como SAOE, enquanto outros estão alegadamente em processo de conversão, facilitado por atualizações recentes à lei desportiva.

Um novo fundo de garantia salarial cobrirá até três meses de salários em atraso para jogadores e treinadores, com um limite no salário base anual do Governo de cerca de 1500 euros por mês, para garantir a viabilidade. O secretário-geral da FAF, David Rodrigo, notou que salários mais elevados, como 6000 euros mensais, esgotariam rapidamente o fundo.

O financiamento virá de contribuições da FAF, quotas dos clubes e afiliados. A federação planeia reter pagamentos de solidariedade da UEFA ou outras ajudas de clubes endividados para recuperar adiantamentos, priorizando os salários. Clubes sem acesso à UEFA — devido a défices em futebol jovem, feminino ou auditorias — devem obter garantias dos órgãos directivos; sem elas, os seus funcionários não podem reclamar benefícios. Equipas despromovidas recuperarão as contribuições, enquanto as estreantes devem pagá-las.

Rodrigo sublinhou que as reformas dão à FAF ferramentas de intervenção mais fortes face a anos de instabilidade que prejudicam a imagem da liga. “Todas as notícias na imprensa prejudicam a liga, a federação e o futebol em geral”, disse, acrescentando que as mudanças fecham lacunas regulatórias.

Em notícia relacionada, a UEFA vai aumentar ligeiramente a compensação para clubes que libertam jogadores para as seleções nacionais, de 3659 para 3845 euros por jogo, abrangendo o ciclo 2024-2028, incluindo a Liga das Nações e os apuramentos para o Euro 2028. Clubes andorranos receberam anteriormente quase 977 000 euros, liderados pelo Inter Escaldes com 245 153 euros.

Partilhar o artigo via