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Desporto·

Veterano amputado do Dakar Mathieu Baumel regressa ao rali após acidente quase fatal

O navegador andorrano Mathieu Baumel, 10 meses após amputação da perna num acidente grave, competirá no Dakar com Guillaume de Mévius.

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Altaveu

Pontos-chave

  • Acidente a 30 jan. no Rallye Historique de Montecarlo; coração parou, perna direita amputada.
  • Optou por prótese em vez de reparações incertas para regressar às corridas aos 50 anos.
  • Testou carro de rali em julho, 2.º em setembro, preparou-se na Arábia Saudita.
  • Objetivos: concluir Dakar de 15 dias, vencer etapas, top-5 geral; primeiro amputado ao elite.

Mathieu Baumel, o navegador andorrano que conquistou quatro títulos do Dakar ao lado de Nasser Al-Attiyah, está pronto para regressar ao evento a menos de um mês do arranque, numa notável recuperação apenas 10 meses após um acidente quase fatal que levou à amputação da perna direita.

O acidente ocorreu a 30 de janeiro durante o Rallye Historique de Montecarlo, deixando Baumel a lutar pela vida com o coração parado e ambas as pernas gravemente danificadas. Consciente no local, deu instruções enquanto priorizava o futuro da família perante a incerteza de conservar uma perna, as duas ou nenhuma. Os médicos induziram-lhe um coma após cirurgia enquanto avaliavam opções. Baumel optou pela amputação em vez de anos de reparações incertas, escolhendo uma prótese que permitisse um regresso mais rápido ao rali — aos 50 anos, calculou que esperar até aos 60 arriscava o fim da carreira.

A recuperação hospitalar eliminou-lhe massa muscular e foco, mas uma determinação mental implacável impulsionou o progresso. Alta da reabilitação a meio de julho, testou um carro de rali no final do mês, suportando dor mas confirmando viabilidade. No início de setembro — sete meses após o acidente —, competiu num pequeno rali com o piloto Guillaume de Mévius, terminando em segundo enquanto lutava pela vitória e dominava a navegação pelo roadbook. Um evento recente na Arábia Saudita, a simular condições do Dakar, ajustou pormenores no cockpit como a colocação da prótese e um novo assento.

Agora ao lado de de Mévius num X-Raid Mini, Baumel vê o arranque do Dakar a 3 de janeiro em Yanbu como um triunfo pessoal — a primeira vez que um atleta amputado competirá ao nível de elite com um carro de topo. A vida quotidiana exige mais energia para tarefas simples, e problemas mecânicos como trocas de pneus custarão tempo, mas espera um momento emocional no pódio antes de se concentrar totalmente.

Os objetivos são moderados: terminar a corrida de 15 dias, vencer uma ou duas etapas e mirar um top-5 geral — sem pressão pelo título. A paixão impulsiona-o; as provações diárias do Dakar com 300-500 km no deserto e resolução de problemas continuam irresistíveis após 20 anos. Desafios quotidianos, da ciclismo ao esqui de inverno em Andorra, testam novas próteses, com recuperação total da perna esquerda prevista para o próximo verão.

"É uma nova fase de vida para me adaptar", disse Baumel, grato por ter escolhido continuar após vislumbrar o abismo. "Não estou entusiasmado, mas é bom prosseguir, mais ou menos como antes."

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