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Desporto·

Federação Andorrana de Ciclismo exige depósito de 7500 CHF a ciclistas profissionais residentes

A FAC vai obrigar os ciclistas profissionais residentes a depositar uma única vez 7500 CHF para cobrir custos antidoping e disciplinares, mantido em nome do ciclista.

Sintetizado a partir de:
AltaveuDiari d'AndorraBon DiaEl PeriòdicARA

Pontos-chave

  • Ciclistas profissionais residentes devem depositar uma única vez 7500 CHF (~8000 €) em bancos andorranos para cobrir custos antidoping/disciplinares; devolvido ao fim da licença.
  • Exigência por fases; FAC diz que o depósito substitui garantia bancária anual e taxas de licença pro 2026 não sobem.
  • FAC aprovou contas 2025, orçamento 2026 e desconto de 50% 'Pacote Familiar' para 3+ licenças amadoras/juvenis.
  • Controvérsia: Estado rejeitou remuneração proposta para o conselho; críticos citam governação opaca e subsídios alegados a favor do filho do vice-presidente (~10k €/ano).

Andorra la Vella — A Federação Andorrana de Ciclismo (FAC) vai exigir que os ciclistas profissionais residentes em Andorra depositem uma quantia única de 7500 francos suíços (cerca de 8000 €) numa conta bancária andorrana como condição para obterem uma licença nacional. O montante será mantido em nome do ciclista e só poderá ser usado para cobrir custos decorrentes de investigações antidoping ou processos disciplinares; será devolvido na totalidade quando a licença deixar de ser necessária ou o ciclista sair do país ou deixar de competir.

A medida foi aprovada na Assembleia Geral Ordinária da FAC após meses de aconselhamento jurídico e coordenação com a Secretaria de Estado do Desporto. A federação citou regras da UCI segundo as quais os profissionais devem ter a licença no país onde residem e disse que os custos iniciais para abrir processos ou gerir testes positivos recaem na federação nacional. A presidente da FAC, Carolina Poussier, argumentou que um pequeno número de casos numa única temporada poderia comprometer as finanças da federação e descreveu o depósito como uma garantia recuperável para partilhar a responsabilidade por potenciais custos sem impor uma taxa recorrente aos ciclistas.

A exigência será implementada por fases, disse a FAC, e as taxas das licenças profissionais não serão aumentadas em 2026 para limitar o impacto financeiro imediato nos atletas. A federação apresentou o depósito como menos oneroso do que o anterior sistema de garantia bancária, que tinha de ser renovado cada temporada. Na mesma assembleia, os delegados ratificaram as contas de 2025 da FAC, aprovaram o orçamento de 2026 e introduziram um “Pacote Familiar”: quando três ou mais membros da mesma família se candidatarem a licenças amadoras ou juvenis, aplica-se um desconto de 50% no custo da licença.

Em separado, a FAC tinha aprovado em junho uma alteração estatutária que permitia uma compensação anual única para a presidente, vice-presidente e tesoureiro, para compensar as horas dedicadas às funções na federação. Essa alteração não entrou em vigor: o Ministério da Cultura e Desporto (Secretaria de Estado do Desporto) analisou o texto e rejeitou a disposição, afirmando que a lei atual impede os membros dos órgãos de governação de receberem remuneração. O Secretário de Estado do Desporto, Alain Cabanes, disse à federação que os órgãos de governação não podem ser remunerados ao abrigo das regras em vigor e pediu à FAC que modificasse os estatutos; acrescentou que a possibilidade poderia ser estudada no futuro, mas não está atualmente permitida. A FAC disse que vai cumprir e rever os estatutos.

A governação da federação e decisões recentes provocaram críticas entre alguns ciclistas andorranos. Vários ciclistas e órgãos locais noticiaram um acumular de descontentamento sobre a falta percebida de transparência, subsídios recorrentes que parecem favorecer um único beneficiário e um estilo de governação descrito pelos críticos como “continuista”. Fontes próximas do desporto dizem que a FAC canalizou, há três temporadas, um subsídio notável para o ciclista Roger Turné, filho do vice-presidente, com apoio reportado superior a 10 000 € por ano para lhe permitir competir numa equipa espanhola. Os críticos dizem que o apoio não gerou um programa mais amplo e sustentado de apoio a outros ciclistas.

A alteração estatutária proposta para permitir compensações ocasionais aos membros dos órgãos de governação amplificou as tensões. Alguns atletas e antigos membros renunciaram publicamente ou distanciaram-se da federação nos últimos meses, citando problemas estruturais não resolvidos e apoio inadequado à secção feminina. O novo diretor técnico da FAC, Víctor de la Parte, começou a oferecer vagas no programa de desenvolvimento para 2026, mas alguns ciclistas dizem que a iniciativa chega demasiado tarde para reparar a confiança.

Poussier defendeu a política do depósito como destinada a proteger a sustentabilidade institucional da federação, evitando penalizações indevidas aos ciclistas profissionais. A decisão do ministério sobre a remuneração dos órgãos de governação obriga a federação a reverter a alteração estatutária e a trabalhar no quadro legal definido pela Secretaria de Estado do Desporto.

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