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Desporto·

Mikel Zabalza recorda subidas ousadas ao Karakórum e o impulso vitalício para explorar

A falar no Dia Internacional da Montanha, Zabalza relata subidas técnicas no Karakórum — incluindo o Gasherbrum IV e um perigoso Broad Peak.

Sintetizado a partir de:
Diari d'Andorra

Pontos-chave

  • Escalador regular do Karakórum desde 1995, mais recentemente em 2024.
  • Gasherbrum IV envolveu secções de rocha expostas de 6A a ~7750 m sem cordas fixas.
  • Abriu uma nova rota perigosa num cume secundário de 8000 m do Broad Peak, forçando descida pelo cume.
  • Viagem a Langtang em 1992 deu uma primeira ascensão a 7000 m; apesar de lesões graves, diz que nunca vai parar de escalar.

Hoje é o Dia Internacional da Montanha e Mikel Zabalza vai falar no Centro de Congressos sobre as suas experiências no Karakórum 1, a extensão noroeste do Himalaia, uma cordilheira que visitou frequentemente — pela primeira vez em 1995 e mais recentemente em 2024.

Perguntado qual a subida que mais se destaca, cita a ascensão ao Gasherbrum IV, um pico proeminente e estético de 7925 metros que recebe poucas visitas e é muito técnico. «Na nossa rota, a 7750 metros, encontramos uma barreira e temos de tirar as luvas e escalar rocha. Há secções de 6A, muito exigentes. Não há corda fixa, ninguém lá. Perigoso? Exige preparação prévia», disse, acrescentando que o perigo e o espetáculo nem sempre vão juntos.

Descreveu uma subida ainda mais perigosa no alto Karakórum, no Broad Peak central, onde subiram um cume secundário de 8000 metros enquanto abriam uma nova rota. As condições eram más, com neve profunda e a sensação constante de que tudo poderia ceder; o progresso era difícil e o equipamento tornava a descida impossível. «A única opção era sair pelo cume e descer pelo outro lado», recordou.

Um ponto de viragem na sua vida aconteceu em 1992, quando, aos 22 anos, viajou com um amigo até à cabeça do vale de Langtang, no Nepal. Passaram 40 dias sem contacto com o mundo exterior, subiram muitos picos, incluindo uma montanha de 7000 metros em estilo alpino, e descobriram mais tarde que tinham feito a primeira ascensão desse cume. «Foi muito ousado. Soube então que era isso que queria na vida», disse.

O seu interesse pelas montanhas começou cedo: ingressou num clube de montanha aos dez anos, embora os pais — que tinham nove filhos — não o pudessem levar. Começou a escalar aos 16; os pais não compreendiam totalmente, mas deram-lhe liberdade para prosseguir.

Zabalza reconheceu o desgaste físico de uma longa carreira. «Ossos? Parti mais do que ninguém, sempre em vias curtas», disse. O seu acidente mais recente foi há cinco anos em Etxauri, onde uma presa partiu, caiu vários metros e fracturou os pulsos. «A vida para», refletiu.

Perguntado se planeia parar, a resposta foi inequívoca: «Nunca». Enfatizou que a montanha não tem culpa, mas que tem as suas regras e é preciso aprender a reconhecê-las.

O que continua a atraí-lo é o desconhecido: o desejo de explorar e encontrar novas rotas. Notou que alguns escaladores mais jovens mantêm esse espírito, enquanto outros procuram principalmente atenção mediática e visam cumes conhecidos, como o Evereste, pelo prestígio que trazem.

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Fontes originais

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