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Habitação na Andorra lidera preocupações com 70% na última sondagem

Sondagem a 771 residentes mostra a habitação como problema dominante há quatro anos, apesar de ligeira descida. Rendas altas superam salários, travando independência jovem e estabilidade familiar, enquanto peritos pedem soluções governamentais visíveis.

Pontos-chave

  • 70,2% dos inquiridos citam habitação como principal problema, ligada a salários e custos de vida
  • Preocupações com trânsito batem recorde de 23%, associadas ao crescimento económico
  • 41,8% colocam habitação em primeiro pessoalmente, com rendas altas (42,5%) como queixa maior
  • Visões económicas estáveis: 54% positivas sobre finanças familiares, 47,9% no geral

Habitação continua a ser a principal preocupação na Andorra, citada por 70,2% dos inquiridos como o problema primordial do país no Observatório de Sondagens de Opinião da Andorra Recerca + Innovació (AR+I) relativo à primeira metade de 2026.

A sondagem, realizada de 1 a 22 de abril a 771 pessoas, concluiu que 73% associam a habitação aos salários e aos custos de vida como a principal dificuldade nacional — uma descida ligeira face aos 73,9% da segunda metade de 2025. O sociólogo da AR+I Joan Micó, que dirige a unidade de sociologia, destacou que este tema mantém-se no topo há quatro anos consecutivos. O valor caiu quase quatro pontos face à sondagem anterior e 10% em relação aos máximos de 2023, embora não se observe uma melhoria clara. Micó relacionou possíveis alterações com tendências económicas e apelou a uma atenção próxima às ações do governo.

Um editorial do El Periòdic sublinhou o resultado como uma realidade vivida na rua, não apenas dados, que molda planos de vida, dificulta a independência dos jovens adultos e reduz o poder de compra das famílias. Alertou contra a complacência apesar da descida face aos picos de 2023, notando visões generalizadas de rendas excessivas que superam os salários e impedem o acesso a habitações dignas. O texto qualificou o problema como estrutural e questionou a visibilidade das medidas governamentais, afirmando que a credibilidade das políticas dependerá da entrega de habitações acessíveis, estabilidade habitacional e reais oportunidades para quem agora não consegue construir vida na Andorra.

Pessoalmente, 41,8% — ou 322 participantes — colocaram a habitação em primeiro lugar, um aumento acentuado face aos níveis de finais de 2019. As principais queixas abrangem rendas elevadas (42,5%), filhos crescidos presos em casa (12,4%), apoio insuficiente à compra (10,3%), insegurança nas renovação (10%) e escassez (7%). A preocupação foi mais forte nas idades 30-44 e 45-64, entre nacionais portugueses (83,5%) e andorranos (73%).

As preocupações com o trânsito atingiram 23% — um recorde desde 2010, superior aos 19,1% anteriores —, com 10,4% a sentirem impactos diretos. Micó ligou o aumento à expansão económica, ecoando padrões dos anos iniciais de 2000. Infraestruturas e serviços seguiram-se com 18,6% a nível nacional (16% em métricas específicas), atingindo 6,4% individualmente; os problemas incluíram construção excessiva, planeamento deficiente (56 casos), estradas más, congestionamento e escassos espaços verdes. Salários atraíram 14,4% (descida face a 18,2%), imigração 11,6% (de 13,4%) e segurança 1%.

As visões económicas foram equilibradas: 54% positivas sobre as finanças familiares, 48% sobre a economia e 47,9% no geral (de 49,1%). Cerca de 40% viram as finanças nacionais como boas, 9% muito boas. Mais de metade — 53% — considerou as condições estáveis face a 2025, com perceções estáveis a subir 4% anualmente e negativas a descer 3%. Ainda assim, 42% esperam declínio, contra 35,7% estabilidade e 15,2% ganhos. Dois terços (66%) terminaram o mês sem tensão — 24,5% com excedente, 31% facilmente, 10% muito —, mas 33% tiveram dificuldades, especialmente mulheres (39% contra 28% homens), idades 30-44 e devido à inflação.

Os serviços públicos tiveram uma média de 6,788/10 no Govern. Os bombeiros lideraram com 8,9 (9,1 para utilizadores recentes), seguidos pela polícia e florestais com 8,2, educação com 8, alfândegas e prisões com 7,7, serviços sociais com 7,5; a administração ficou para trás com 6,8 devido a atrasos. Cerca de 53,8% viram ganhos recentes, 12,1% perdas, 25% estabilidade. Soluções propostas: simplificar processos e papelada (25%), acelerar respostas (18,8%), melhorar coordenação (12,4%), adicionar opções digitais (10,6%); o trato do pessoal obteve 7,6%.

A preparação para desastres atingiu 59,6%, superior aos 23,8% de 2005; riscos incluíram alavanchas (53,8%), derrocadas (44,1%), cheias (22,8%, mais elevada entre idosos). Cerca de 38% enfrentaram eventos, maioritariamente cheias (43%) ou derrocadas (24%). Metade considerou a informação suficiente.

O uso digital manteve-se: 94,4% em linha diariamente ou quase, 98,2% por telemóvel, 55,7% computador; 70% geriram tarefas oficiais em linha em 2025.

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