Andorra planeia imposto turístico dinâmico para combater sobrelotação nos picos
As taxas vão aumentar na alta temporada e diminuir nos períodos baixos, no âmbito de uma nova lei que prioriza visitantes de elevado gasto, anunciada no Congresso Mundial sobre Turismo de Neve, Montanha e Bem-Estar.
Pontos-chave
- Andorra implementa imposto turístico dinâmico: mais alto na alta temporada, mais baixo na baixa para reduzir sobrelotação.
- Nova lei de turismo prioriza visitantes de elevado gasto sobre volume; em revisão para aprovação no próximo mês.
- Mais de 1,1M de visitantes este ano, projeções de 9,1-9,2M anuais; IA usada para gestão de multidões em tempo real.
- Anunciado no Congresso Mundial sobre Turismo de Neve, Montanha e Bem-Estar, com foco na sustentabilidade.
O ministro do Turismo e Comércio de Andorra, Jordi Torres, confirmou na quarta-feira planos para um imposto turístico dinâmico, com taxas a aumentar durante os períodos de pico e a manter-se estáveis ou a diminuir ligeiramente na baixa temporada, para promover uma distribuição ao longo do ano e aliviar a sobrelotação.
13.º Congresso Mundial sobre Turismo de Neve, Montanha e Bem-Estar, no Centro de Congressos de Andorra la Vella, que decorre até sexta-feira, 27 de março. Notou que estão em curso discussões com agentes do setor para acordar a escala dos aumentos, traçando paralelos com modelos de preços dinâmicos para regular os fluxos de visitantes. A iniciativa faz parte de uma nova lei de turismo em revisão parlamentar, prevista para aprovação no próximo mês, que visa priorizar o gasto mais elevado por visitante em detrimento do número absoluto. Andorra registou mais de 1,1 milhões de visitantes este ano, com projeções de 9,1-9,2 milhões anuais — um pilar económico chave —, embora as autoridades enfatizem a qualidade em vez do crescimento. Estudos recentes sobre capacidade de carga identificaram saturação em certos períodos, levando a medidas contra o turismo de massas, equilibrando o bem-estar dos residentes, salvaguardas ambientais e pressões sobre infraestruturas como a construção.
Torres destacou sistemas baseados em IA para redirecionar multidões de áreas congestionadas para locais menos movimentados em tempo real. Descreveu o turismo como inseparável do ambiente natural de Andorra, sublinhando a necessidade de potenciar ativos únicos sem degradação.
O Chefe do Governo, Xavier Espot, inaugurou o evento apoiado pela UN Tourism, com o tema «O Destino sob Influência Digital». Descreveu Andorra como um terreno de teste para a sustentabilidade, enfatizando o uso ético de dados e o potencial da tecnologia face às ameaças climáticas às montanhas, apesar das recentes fortes nevascas. Um relatório iminente sobre efeitos climáticos no turismo de neve figura no programa. Espot elogiou a mistura de debates académicos e atividades práticas, como visitas culturais a Ordino — Reserva da Biosfera da UNESCO e Best Tourism Village da UN Tourism —, experiências de bem-estar, workshops de cozinha de quilómetro zero e caminhadas ao Miradouro Solar de Tristaina.
Cerca de 250 participantes incluem o ministro da Indústria e Turismo de Espanha, Jordi Hereu, a secretária de Estado do Turismo e Vida Selvagem do Quénia, Simonida Kordić, a secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços de Portugal, Pedro Machado, e a secretária-geral da UN Tourism, Shaikha Al Nuwais, na sua primeira aparição desde janeiro. As sessões abordam pressões digitais sobre destinos de montanha, ética da IA, deepfakes, «instinto híbrido» que combina tecnologia com criatividade humana, detox digital e sustentabilidade. Contributos incluem Alex Connock sobre promoção e ética da IA, Jordi Urbea sobre fusão tecnologia-humano, e o veterano de motociclismo Aleix Espargaró sobre inspiração desportiva e redes sociais.
O keynote do primeiro dia, por Connock, alertou para a IA e deepfakes a remodelarem o turismo, instando a um manuseamento ético e posicionando experiências lideradas por humanos como o novo luxo. Um painel moderado por Sandra Carvao, da UN Tourism, com Torres, Kordić e Machado, discutiu governação digital, gestão de fluxos, autenticidade e diversificação face a mudanças climáticas.
O líder de Ordino, Eduard Betriu, destacou salvaguardas locais como parques regulados e planeamento urbano para harmonizar o crescimento com as necessidades da comunidade, apesar de alguma resistência de proprietários, priorizando o interesse público. Al Nuwais apelou a limites de visitantes, melhorias baseadas em dados e turismo de montanha responsável para impulsionar a prosperidade local. Organizado pelo governo andorrano, UN Tourism e as sete paróquias desde 1998, o congresso combina debates políticos com mostras imersivas do potencial de Andorra.
Fontes originais
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- Altaveu•
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- El Periòdic•
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