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Política·

Grupos femininos de Andorra céticos quanto ao calendário de despenalização do aborto

Líderes de advocacy alertam para mais adiamentos para além do verão e eleições, citando oposição institucional incluindo o copríncipe episcopal. Exigem reformas abrangentes para encaminhamentos médicos e reembolsos de saúde para proteger as mulheres.

Pontos-chave

  • Grupos como Stop Violències e Acció Feminista duvidam do projeto-lei governamental antes do verão.
  • Críticos culpam o copríncipe episcopal e atrasos desde 2019 pelo bloqueio.
  • Defensores pedem despenalização para médicos, cobertura CASS e acesso seguro face a viagens ao estrangeiro.
  • Parlamento dividido: uns priorizam proteção de médicos, outros negam necessidade de reforma.

Grupos de direitos das mulheres em Andorra expressaram profundo cepticismo face ao calendário do governo para a despenalização do aborto, alertando que a legislação proposta poderá enfrentar mais adiamentos. As dúvidas surgiram após o ministro do Interior, Ladislau Baró, ter anunciado esta semana no Conselho Geral que um projeto de texto chegaria antes do verão, na sequência de um debate parlamentar sobre a questão.

Vanessa Mendoza, presidente da Stop Violències, rejeitou o calendário como pouco fiável, prevendo que seria adiado para além do verão e após as eleições do próximo ano. Acusou a oposição institucional, particularmente do copríncipe episcopal, de travar deliberadamente o progresso. «Trata-se de uma questão de Estado, mas o copríncipe episcopal não quer», afirmou Mendoza, notando a falta de confiança do grupo no governo desde 2019. Destacou que muitas mulheres ainda viajam para o estrangeiro para abortar ou recorrem a alternativas inseguras sem apoio médico, e sublinhou a rede internacional da Stop Violències que auxilia o acesso a direitos reprodutivos através de entidades como a ONU.

A Acció Feminista ecoou as preocupações. A presidente Laia Farré afirmou: «Só acreditaremos quando o virmos», recordando uma grande desilusão no início do ano, quando uma prometida reforma outonal desapareceu na sequência de comentários papais, levando a uma suspensão indefinida. Farré saudou uma emenda dos Social Democratas, de Susanna Vela, para retirar as mulheres do código penal durante a sua reforma em curso, mas insistiu que também deve despenalizar os médicos para permitir encaminhamentos. Enfatizou a necessidade de cobertura de saúde paralela da CASS para evitar deixar as mulheres economicamente vulneráveis.

As reações parlamentares revelaram divisões apesar do amplo reconhecimento da questão como não resolvida. Cerni Escalé, do Concòrdia, argumentou que despenalizar apenas as mulheres não muda nada, pois não houve condenações; priorizou a proteção dos médicos para permitir serviços médicos e encaminhamentos para o estrangeiro, mais reembolsos da CASS. Vela, dos Social Democratas, viu o debate como uma oportunidade para a legalização, instando à participação da sociedade civil. O líder dos Demòcrates, Jordi Jordana, manteve que a Constituição atual acolhe os direitos das mulheres ao lado do direito à vida, sem necessidade de reforma. O chefe do Governo, Xavier Espot, reconheceu-o como uma questão pendente, prosseguida «de forma discreta e calma», notando avanços na igualdade de género na última década e equilibrando-o com outros direitos.

As discussões seguiram mensagens do Dia da Constituição, incluindo do copríncipe francês Emmanuel Macron, que enfatizou os direitos das mulheres, interpretadas por Espot como de apoio mas enquadradas institucionalmente. Os grupos de advocacy continuam a pressionar por ação rápida em meio a estas tensões institucionais.

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