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Política·

Conselho da UE debate projeto final dos acordos de associação de Andorra e San Marino

Grupo de trabalho da EFTA reúne-se em Bruxelas para resolver natureza jurídica e anexos; Espanha pode levantar bloqueio ligado a negociações sobre Gibraltar, permitindo consenso sobre misto

Pontos-chave

  • Espanha pode abandonar oposição à classificação como acordo misto após avanços em Gibraltar.
  • Discussões cobrem anexos sobre impostos do tabaco, livre circulação, imigração, transportes aéreos e serviços financeiros.
  • Progressistes-SDP exige transparência e envolvimento público no processo.
  • Governo prevê calendário de assinatura após aprovação do Conselho, com referendo em análise.

O grupo de trabalho da EFTA no Conselho da UE reúne-se hoje em Bruxelas para debater o projeto final do acordo de associação de Andorra com a União Europeia e de San Marino, com foco intenso na sua natureza jurídica e anexos principais.

Esta reunião segue uma sessão a 10 de março, em que partes do acordo foram analisadas sem consenso alcançado. Fontes indicam que Espanha, que se opôs à classificação do acordo como misto — exigindo ratificação por todos os parlamentos nacionais da UE além do Parlamento Europeu —, poderá levantar o bloqueio hoje. Madrid ligou a sua posição a avanços nas negociações do Reino Unido sobre Gibraltar, incluindo a remoção da vedação fronteiriça e uma integração mais profunda no Espaço Schengen. Com essas conversas em aparente progresso, outros Estados-membros da UE já favorecem o estatuto misto, abrindo possivelmente caminho para decisões rápidas se surgir consenso.

Não foi alcançado acordo final na reunião da semana passada, mas as discussões de hoje centram-se em anexos que abrangem o comércio de tabaco, livre circulação de pessoas, imigração, transportes aéreos, salvaguardas de segurança pública e acesso a serviços financeiros. No que toca ao tabaco, apesar de a tributação estar fora do âmbito do acordo, Andorra compromete-se a inspirar-se nas regras da UE sobre impostos de produtos de tabaco para garantir receitas estatais adequadas e reforçar a cooperação antimercado paralelo com França, Espanha e entidades da UE. O acesso aos mercados financeiros dependerá de uma avaliação exaustiva pelas autoridades de supervisão europeias, como a Autoridade Bancária Europeia, que emitirá pareceres via Comissão Europeia.

Os Progressistes-SDP, prestes a sair do Pacte d’Estat sobre a Europa esta quarta-feira, divulgaram documentos oficiais das negociações recentes para promover maior transparência. O partido argumenta que o acordo «não pode ser visto como um projeto exclusivo do governo ou dos partidos do pacto, mas como uma ferramenta coletiva para garantir o futuro económico, social e institucional de Andorra». Insiste que o processo não deve ser encarado «como uma mera questão técnica isolada», mas como um passo político vital que exige envolvimento público.

O governo em Andorra la Vella antecipa formalizar um calendário para a assinatura e ratificação pelo Parlamento Europeu uma vez aprovado o caráter misto pelo Conselho, embora os detalhes sobre um possível referendo ou aplicação provisória permaneçam em análise jurídica. A posição da Bulgária, no meio de um escândalo bancário ligado a uma candidatura de um banco de San Marino, poderá também influenciar os trabalhos.

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