Ex-chefe da Segurança espanhola nega papel do Interior na queda da BPA em 2015
Francisco Martínez disse a ativista do PSOE Leire Díez que o procurador José Grinda orquestrou o colapso da Banca Privada d'Andorra via alerta FinCEN dos EUA e coordenação transfronteiriça, sem envolvimento do Ministério do Interior.
Pontos-chave
- Francisco Martínez culpou procurador José Grinda pela intervenção na BPA, não o Ministério do Interior.
- BPA acusada de branqueamento levou a tomada rápida em março de 2015.
- Aviso FinCEN dos EUA detonou ação; Barroso alertou banco um ano antes sobre dados catalães.
- Martínez rejeitou alegações de Villarejo sobre 'Operació Catalunya' do PP como relatórios falsos.
Francisco Martínez, ex-Secretário de Estado da Segurança de Espanha sob Mariano Rajoy, negou qualquer envolvimento do Ministério do Interior espanhol na intervenção de 2015 na Banca Privada d'Andorra (BPA). Num conversa gravada a 15 de julho de 2022 com Leire Díez, ativista do PSOE ligada à investigação de corrupção em curso 'caso Leire', Martínez atribuiu a queda do banco a ações lideradas pelo procurador anticorrupção José Grinda.
Martínez descreveu a intervenção como "absolutamente desproporcionada", notando que a própria BPA — e não apenas os seus clientes — foi acusada de branqueamento de capitais, o que levou à sua tomada de controle em uma semana, em março de 2015. Apontou a coordenação entre as autoridades andorranas, incluindo a UIFAnd, o Sepblac de Espanha e os respetivos ministérios públicos, tudo sob a direção de Grinda. O detonador, disse ele, foi um aviso do FinCEN dos EUA, embora questionasse se figuras-chave como Marcelino Martín Blas ou Celestino Barroso, então adido policial de Espanha em Andorra, o conheciam antecipadamente.
Um ano antes, afirmou Martínez, Barroso tinha avisado a BPA de uma possível ação institucional dos EUA caso não fornecesse dados bancários sobre políticos catalães, incluindo a família Pujol. Alegou envolvimento dos serviços de informações espanhóis CNI e dos ministérios económicos, embora não tivesse provas do papel específico do CNI, que operava de forma independente. O Interior, insistiu, não teve qualquer papel.
Martínez rejeitou também as alegações do comissário de polícia aposentado José Manuel Villarejo, dizendo a Díez que Villarejo produziu relatórios falsos sobre a BPA depois "para cobrar os Ciercos", descrevendo-os como mentiras baseadas em informação parcial ou fabricada. Villarejo, que testemunhou no tribunal Batllia de Andorra, afirmara previamente que a 'Operació Catalunya' — ligada à BPA — era uma operação estatal envolvendo o governo de Rajoy, o CNI e a Guardia Civil.
A conversa surgiu no sumário do 'caso Leire', onde Díez procurava informação comprometedora sobre o PP para contrariar escândalos em torno do líder do PSOE, Pedro Sánchez. Martínez ilibou figuras como Eugenio Pino e Bonifacio Díez Sevillano de conhecimento do aviso do FinCEN.
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