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Política·

PM andorrano Espot propõe despenalização voluntária do aborto em setembro

Após discussões frutíferas no Vaticano, o Chefe de Governo Xavier Espot anunciou que o executivo finalizará e apresentará uma proposta de interrupção voluntária da gravidez até setembro, equilibrando soberania e salvaguardas institucionais.

Pontos-chave

  • Xavier Espot anuncia proposta executiva em setembro para despenalizar aborto antes do fim do mandato.
  • Conversas frutíferas no Vaticano clarificam âmbito da reforma sem necessidade de aprovação da Santa Sé.
  • Proposta visa despenalização apenas para mulheres, expandindo direitos com segurança.
  • Deputada da oposição Segués mantém cautela face a promessas passadas não cumpridas.

O Chefe de Governo andorrano Xavier Espot confirmou que o executivo apresentará uma proposta em setembro para avançar na despenalização do aborto, com alterações destinadas a entrar em vigor antes do fim do atual mandato legislativo.

Falando na quinta-feira durante a apresentação de regulamentos para um potencial referendo sobre um acordo de associação com a UE, Espot disse que o governo está nas fases finais do diálogo com a Santa Sé e da análise do âmbito disponível para a reforma legislativa. Descreveu uma recente reunião com o Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Pietro Parolin, como «muito frutífera», que clarificou a margem de manobra do executivo.

Espot sublinhou que as decisões sobre a interrupção voluntária da gravidez competem ao Conselho Geral e ao governo. Embora a Santa Sé não precise de dar aprovação explícita a qualquer reforma do código penal, as discussões foram essenciais para definir limites sem arriscar o sistema de coprincipado de Andorra ou o quadro institucional. «O que não podemos esperar é consentimento explícito da Santa Sé para qualquer das opções que apresentarmos», notou, acrescentando que tal aval também minaria a soberania nacional.

O Chefe de Governo identificou uma «janela de oportunidade» entre a legalização total — que excluiu por ultrapassar linhas vermelhas — e a mera despenalização. Sente agora maior convicção de que a medida, destinada a expandir os direitos das mulheres, pode avançar em segurança. «O governo tem agora as coisas bastante claras» para finalizar o texto, disse Espot, com planos para o apresentar no parlamento até finais de setembro.

Isto segue um processo complexo marcado por mudanças. Sob o Papa Francisco, as conversas exploraram uma despenalização mais ampla para mulheres e prestadores de cuidados de saúde, mais potencial cobertura da CASS para procedimentos no estrangeiro, levando a uma meta inicial de finais de 2025. A transição para o Papa Leão XIV arrefeceu o progresso; após a reunião de Espot com Parolin em outubro de 2025, o foco estreitou-se à despenalização apenas da mulher. Contactos recentes, incluindo a reunião de Espot com Leão XIV durante a visita do Papa a Barcelona, reviveram o ímpeto sem necessidade de aval vaticano.

A deputada da Concòrdia Núria Segués expressou cautela, descrevendo o seu partido como «expectante». Destacou anúncios repetidos do governo ao longo do mandato que não resultaram em mudanças substantivas, e reteve comentários até à apresentação da proposta.

Não foram divulgados pormenores sobre o conteúdo da proposta.

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