Líder da Oposição Andorrana Critica Governo por Surpresa no Salário Mínimo
No Debate de Orientação Política, Cerni Escalé censurou decisões unilaterais que criam incerteza, enquanto o PM Xavier Espot rebateu inconsistências da oposição em meio a tensões crescentes.
Pontos-chave
- Cerni Escalé critica falta de consenso sobre salário mínimo, pensões e imigração.
- Destaca baixa natalidade, economia desequilibrada e especulação imobiliária em Andorra.
- Rejeita recrutamento direto como 'modelo paupérrimo' e pede melhores salários.
- PM Xavier Espot acusa oposição de incoerências em habitação e orçamentos.
Cerni Escalé, líder do grupo parlamentar da Concordia, criticou o governo na terça-feira por criar incerteza através de anúncios abruptos sem consenso político prévio. Falando durante o Debate de Orientação Política no Consell General, destacou a recente promessa do chefe do governo de rever novamente o salário mínimo, que surpreendeu até o seu próprio grupo.
Escalé saudou a ideia de rever o salário mínimo, mas questionou a abordagem de comunicação. "Aplaudimos o plano de o rever novamente. É uma surpresa que vá ser aumentado; surpreendeu até nós", disse. Argumentou que tais mudanças estruturais, incluindo as que afetam pensões ou quotas de imigração, exigem debate partilhado no parlamento em vez de decisões unilaterais. "O governo decide e executa", lamentou, acrescentando que movimentos abruptos "fazem mal" e contradizem as alegações de que a oposição obstrui o progresso.
Escalé descreveu Andorra como profundamente desequilibrada, apesar da ênfase do chefe do governo na estabilidade. Defendeu maior poder de compra, aumentos salariais e melhor qualidade de vida, apontando a taxa de natalidade mais baixa da Europa como um problema de identidade. Desafiou os dados governamentais sobre investimento estrangeiro, exigiu explicações para a queda no investimento imobiliário e pediu freios à especulação complicando a revenda de propriedades sem valor acrescentado. "Construiu-se demasiado onde não se devia ter construído", disse, criticando a densidade construtiva e o planeamento do espaço público.
Rejeitou o projeto-piloto de recrutamento direto de países de origem como um "modelo de paupérrima", notando que os trabalhadores de quota de inverno recebem salários mais elevados do que muitos locais — uma "contradição flagrante". Em alternativa, defendeu reforçar a competitividade e os salários para atrair mão de obra.
Em resposta, o chefe do governo Xavier Espot expressou deceção com a liderança de Escalé na oposição. Espot esperava que a Concordia trouxesse uma "nova forma de fazer política", mas acusou o grupo de votar contra ou abster-se em iniciativas chave como leis de habitação, apesar de criticar a crise residencial. "Talvez quanto maior o problema, maior o ganho eleitoral", observou. Espot rejeitou também a oposição da Concordia ao orçamento, destacou inconsistências, como a sua posição sobre o aborto em meio a potenciais alianças, e defendeu causas multifacetadas da crise da habitação para além dos compradores estrangeiros.
Escalé contrapôs que a Concordia apresentou mais alterações do que qualquer outro grupo e não apoiaria projetos de lei com os quais discordasse nos elementos essenciais, mesmo que parcialmente positivos. Acusou Espot de agir mais como líder da oposição e notou o tom cada vez mais ácido do debate perto do fim do mandato.
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