Sindicato de Professores Andorrano Ameaça Greves por Reformas Defeituosas na Carreira
O SEP critica o projeto de lei governamental para carreiras por mérito dos funcionários públicos por falta de transparência e injustiça, exigindo melhor reconhecimento do serviço interino e mais detalhes sob pena de greves.
Pontos-chave
- SEP critica falta de transparência nas negociações desde fevereiro.
- Experiência de interinos mal reconhecida na estrutura de 30 anos proposta.
- Sindicatos sem documentos completos ou simulações; texto final só após publicação.
- Possíveis greves debatidas na assembleia; comparações com disputas salariais passadas.
O Sindicato de Educadores Públicos (SEP) intensificou as críticas à forma como o governo andorrano está a gerir o projeto de lei para um sistema de carreira profissional baseado no mérito para trabalhadores públicos, avisando agora explicitamente para a possibilidade de greves e mobilizações caso não sejam feitas alterações em breve.
O secretário-geral do SEP, Sergi Esteves, descreveu o processo de negociação como desprovido de garantias, qualidade, transparência e formalidade. Argumentou que as discussões, em curso desde fevereiro, não constituíram uma verdadeira negociação apesar das alegações governamentais de diálogo. Os sindicatos não receberam documentos completos, atas de reuniões ou simulações sobre reclassificações, tendo sido informados do texto final apenas após a sua publicação.
Esteves questionou o valor da participação sindical, perguntando se os representantes compareceram apenas para fornecer ideias que o governo pudesse adotar seletivamente enquanto ignorava as preocupações. Destacou a reversão passada pelo ministério numa regulamentação de reclassificação após desafios dos sindicatos, sugerindo que problemas semelhantes poderiam surgir aqui, podendo levar a ações judiciais.
As principais queixas centram-se no reconhecimento inadequado para trabalhadores interinos, cujo serviço estrutural — devido a vagas permanentes por preencher — recebe crédito mínimo na estrutura de carreira de 30 anos proposta. Os sindicatos pediram uma ponderação significativa para essa experiência ao obterem lugares permanentes, mas a abordagem atual fica aquém. Esteves avisou que estas lacunas prejudicam a qualidade do serviço público, particularmente na educação.
Os detalhes de implementação permanecem pouco claros, com elementos centrais adiados para uma futura regulamentação que governos subsequentes poderiam alterar. O SEP ainda não analisou o texto legislativo completo. Na educação, cerca de 200 trabalhadores interinos enfrentam insegurança laboral e as equipas escolares carecem de recursos para as avaliações exigidas, apesar do software prometido.
O sindicato planeia debater ações de protesto na sua assembleia-geral no próximo mês, comparando as propostas iniciais com a versão final. Esteves disse que mobilizações, incluindo greves, não estão excluídas, traçando paralelos com disputas salariais passadas. «A vontade de lutar está lá», notou, num contexto de ressentimentos acumulados e dívida administrativa para com os trabalhadores.
O SEP mantém-se disposto a negociar, mas receia uma aprovação precipitada antes do fim da legislatura, instando a emendas via grupos parlamentares se necessário. O sistema, parte de reformas mais amplas da administração pública, visa uma implementação em 2027 através de uma lei de acompanhamento orçamental.
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