Àlex Garrido vence Prémio Fiter i Rossell 2025 com thriller de Dublin inspirado em Andorra
O policial, que mistura entretenimento com comentário sobre migração e política, foi apresentado segunda-feira. A ministra Mònica Bonell elogiou os temas atuais do prémio, em transição após 47 anos.
Pontos-chave
- Àlex Garrido, de Manlleu, premiado por *El diable irlandès* no lançamento em Andorra la Vella.
- Romance em Dublin e Andorra aborda imigração, crise habitacional, especulação e ascensão da extrema-direita.
- Círculo de Artes e Letras termina 47 anos de Noite Literária; Governo planeia novo modelo.
O salão de exposições do Governo em Andorra la Vella acolheu na segunda-feira à noite o lançamento oficial de *El diable irlandès*, vencedor do Prémio Fiter i Rossell de 2025. O galardão foi atribuído a Àlex Garrido, autor de Manlleu, durante a Noite Literária de novembro passado.
Este policial desenrola-se principalmente no norte de Dublin, com cenas que se estendem a Andorra. Garrido inspirou-se numa viagem à capital irlandesa no ano passado, onde um bairro lhe recordou processos na sua terra natal. A história também alude a Andorra, onde parte da escrita decorreu e a narrativa termina.
A trama combina entretenimento de ritmo acelerado com comentário social sobre imigração, escassez de habitação acessível, especulação imobiliária e a ascensão global da extrema-direita. Parte das declarações de Donald Trump em janeiro de 2025 sobre a expulsão de imigrantes dos EUA, explorando as repercussões económicas e sociais dessas políticas. Um inspector dos Mossos d’Esquadra lidera uma investigação transfronteiriça que borra a linha entre ficção e realidade.
Garrido, ex-presidente da câmara e professor, espera que os leitores reflitam sobre estes temas atuais. “Espero que quem ler o livro tenha alguma reflexão posterior, porque aborda temas atuais e sociais, e acho que o leitor também se sentirá desafiado”, disse. Considera que a literatura mantém um “pequeno poder de denúncia social”, apesar do interesse decrescente entre os jovens.
A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Mònica Bonell, elogiou o romance por usar a sua trama para abordar os movimentos migratórios contemporâneos e o discurso político. Chamou ao prémio um motor essencial da criação literária em Andorra, agradecendo ao Círculo de Artes e Letras o seu papel.
O presidente do Círculo, Joan Burgués, anunciou que o grupo terminará os seus 47 anos de organização da Noite Literária Andorrana devido à idade dos membros. Apelou ao Governo para assumir o evento e o prémio de imediato, garantindo a continuidade. Bonell disse que está em curso um novo modelo para alargar o alcance e profissionalizar o setor.
Publicado pelas Edições Diari d’Andorra antes do Sant Jordi, o livro marca o regresso de Garrido ao género. Tem prémios anteriores, incluindo o Prémio Ciutat d’Eivissa de 2014 por *L’illot de la haima* e o Prémio Porreres de 2019 por *El darrer periple d’en Yamir*.
Artigos relacionados
Outros artigos de fontes em catalao sobre a mesma historia:
- Diari d'Andorra•
Quan el diable és la realitat
- El Periòdic•
‘El diable irlandès’ arriba amb una mirada sobre immigració i habitatge: “El lector també se sentirà interpel·lat”
- Diari d'Andorra•
Àlex Garrido presenta El diable irlandès, premi Fiter i Rossell 2025
- Diari d'Andorra•
Àlex Garrido: “L’escriptor té encara aquest petit poder de denúncia social”