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Política·

PM português Montenegro inaugura consulado em Andorra e assina pacto de segurança

A visita do primeiro-ministro Luís Montenegro marcou a abertura de um novo consulado e um acordo de cooperação em segurança com o líder andorrano Xavier Espot. Falou à diáspora portuguesa local e apoiou a associação de Andorra à UE em laços bilaterais fortes.

Pontos-chave

  • Montenegro inaugurou o novo consulado-geral português em Andorra la Vella, substituindo o fechado em 2012, dirigido por Duarte Pinto da Rocha.
  • Líderes assinaram acordo de segurança interna sobre crime, fronteiras e migração, somando-se a 15 pactos bilaterais.
  • Montenegro apelou à comunidade portuguesa de 8500 membros para manter laços; Espot elogiou contributos geracionais.
  • Discutiram apoio à associação de Andorra à UE e candidatura mútua ao Conselho de Segurança da ONU.

O primeiro-ministro português Luís Montenegro visitou ontem Andorra, onde inaugurou o novo consulado-geral português, assinou um acordo de cooperação em segurança e discursou perante a comunidade portuguesa local.

A visita começou com a inauguração oficial do consulado, que substitui a representação diplomática perdida em 2012. Montenegro descobriu a placa no edifício em Andorra la Vella, servido por quatro funcionários. O consulado, criado por decreto em março de 2024, é dirigido pelo cônsul-geral Duarte Pinto da Rocha, nomeado em agosto e em funções desde setembro. Responde a exigências antigas da comunidade, que antes dependia de serviços em Barcelona ou de um consulado honorário. Montenegro descreveu-o como uma "porta aberta para Portugal", facilitando contactos administrativos, consultas e apoio consular a residentes, investidores e outros interessados em Portugal.

Montenegro reuniu-se depois com o chefe do Governo Xavier Espot, seguido de uma conferência de imprensa conjunta. Assinaram um acordo sobre segurança interna, reforçando a colaboração técnica e trocas sobre prevenção do crime, controlo de fronteiras, fluxos migratórios, proteção civil, segurança rodoviária e controlo de armas. A ministra dos Negócios Estrangeiros Imma Tor e o embaixador português José Augusto Duarte formalizaram o acordo, que se soma a 15 acordos bilaterais existentes sobre segurança social, livre circulação, educação e cartas de condução.

Numa receção para cerca de 100 residentes portugueses no Hotel Andorra Park, Montenegro exortou a comunidade — agora com cerca de 8500 membros, menos do que o pico de mais de 13 000 após a crise de 2008 — a manter laços com Portugal enquanto contribui para os dois países. Notou que muitos enraizaram-se aqui, atingindo a terceira geração integrada em setores como os negócios, mas enfrentam elevados custos de vida que levam alguns a regressar, face aos incentivos de Portugal e à economia melhorada. Espot elogiou as contribuições geracionais do grupo, afirmando que a identidade andorrana não existiria sem eles, defendendo ao mesmo tempo a proibição constitucional da dupla nacionalidade para preservar o valor político da cidadania num pequeno país de 85 000 habitantes onde os nacionais foram outrora minoria.

Montenegro expressou forte apoio ao acordo de associação de Andorra à UE, alertando que arrisca perder prioridade após uma década de investimento europeu. Antecipou unanimidade na próxima reunião do Coreper em Bruxelas na próxima semana, que poderá finalizar o texto para aprovação. Espot confirmou que um referendo se seguirá à ratificação europeia, rejeitando apelos precoces como prematuros.

Espot anunciou o apoio de Andorra à candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU como não permanente em 2027-2028. Ambos os líderes destacaram posições comuns, incluindo o reconhecimento da Palestina e o apoio à Ucrânia, e vislumbraram laços económicos via capital humano, tecnologia e missões empresariais futuras.

A viagem, adiada de janeiro devido a tempestades em Portugal, assenta em trocas de alto nível como a visita de Marcelo Rebelo de Sousa em 2022, que prometeu o consulado. As relações bilaterais datam de um acordo de segurança social de 1988, evoluindo com o reconhecimento internacional de Andorra. Este ano, 192 alunos frequentam aulas de português no Lycée Comte de Foix, mais 138 noutros locais.

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