Especialistas alertam que inovações tecnológicas ultrapassam cibersegurança nos fóruns INNTEC em Andorra
Computação em nuvem, IA e IoT ampliam vulnerabilidades em sistemas hiperconectados, instando empresas a priorizar segurança desde a conceção e adotar governação baseada no risco.
Pontos-chave
- Especialistas nos fóruns INNTEC em Andorra alertam que inovações como IA, nuvem e IoT ultrapassam a cibersegurança.
- Hiperconetividade e sistemas de terceiros expandem superfícies de ataque em infraestruturas digitais.
- Yobany Barbosa defende segurança por conceção e governação baseada no risco para empresas.
- IA permite defesas automatizadas, mas exige transparência e priorização estratégica.
Especialistas nos fóruns INNTEC em Andorra a Vella alertaram que as inovações em computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) estão a ultrapassar as medidas de cibersegurança corporativa, criando lacunas na proteção de ambientes digitais em meio à crescente digitalização e hiperconetividade.
O evento, realizado esta semana, reuniu profissionais e empresas de tecnologia para debater desafios da transformação digital, posicionando a cibersegurança como essencial para a competitividade empresarial. As discussões centraram-se em como estas tecnologias amplificam vulnerabilidades, particularmente em sistemas interconectados que envolvem múltiplos fornecedores.
Yobany Barbosa, responsável pelos serviços de cibersegurança da Var Group Andorra, explicou num debate de mesa redonda que a IA está a reformular defesas e ataques. "Enfrentamos medidas de cibersegurança automatizadas, mas também ataques automatizados", disse, notando que esta dinâmica complica a compreensão das operações dos sistemas e dos critérios de decisão.
A hiperconetividade expande a superfície de ataque, especialmente em infraestruturas complexas com envolvimento de terceiros, salientou Barbosa. Enfatizou a integração da segurança desde as fases iniciais de conceção, em vez de como uma preocupação posterior, uma vez que as etapas iniciais determinam as verdadeiras capacidades de controlo e proteção.
Os painéis analisaram também as migrações para a nuvem, muitas vezes impulsionadas pela eficiência mas que ignoram fatores de segurança e governação. As organizações devem avaliar a arquitetura do sistema, a gestão de acessos e estratégias de saída de fornecedores, aconselhou Barbosa.
Os especialistas instaram os líderes empresariais a tratar a cibersegurança como uma prioridade estratégica, e não apenas técnica. Barbosa defendeu uma governação baseada no risco, focada nos impactos operacionais, recursos disponíveis e contexto organizacional. "Nem sempre se pode fazer tudo — priorize com base nas necessidades, capacidades e situações específicas para garantir escolhas realistas e sustentáveis", disse. Acrescentou que a identificação clara dos ativos e riscos chave fornece um roteiro para uma supervisão eficaz.
O papel da IA evoluiu para detetar e gerir ativamente ameaças, oferecendo vantagens de velocidade e custo, mas apenas com uma governação robusta, transparência nas suas operações, fontes de dados e lógica de decisão — especialmente em contextos com muitos dados e conexões.
Os fóruns sublinharam a importância da cibersegurança para as empresas andorranas manterem a sua vantagem na economia digital.
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