Família andorrana despejada após 12 anos muda-se para casa da filha em crise de rendas
Residentes de longa data em Sant Julià de Lòria receberam notificação de despejo por neto da proprietária, sem encontrar habitação acessível devido a rendas acima de 2000 euros e oferta escassa. Consideram Espanha como refúgio.
Pontos-chave
- Casal de Sant Julià de Lòria despejado até 30 de setembro para neto da proprietária
- Busca de quatro meses falhou com rendas >2000€/mês, oferta limitada e rejeição do cão
- Mudaram-se para casa da filha de 37 anos; casa própria em Espanha como opção permanente
- INH confirmou legalidade; família receia abandonar Andorra por completo
Um casal de Sant Julià de Lòria, residentes de longa data num apartamento há 12 anos, mudou-se para casa da filha após receber uma notificação de despejo e não conseguir encontrar uma renda acessível em meio a preços elevados e oferta limitada. A família enfrenta agora a perspetiva de abandonar completamente Andorra.
O pai andorrano de 62 anos, prejubilado desde os 60 após uma carreira como funcionário público, e a mulher espanhola de 56 anos, que trabalha no retalho desde que chegou ao Principado aos 16, receberam um burofax no final de maio. Este exigia que desocupassem o imóvel até 30 de setembro para que o neto da proprietária, o novo gestor do imóvel, o pudesse usar para si. O contrato inicial de cinco anos renovava-se anualmente com rendas ajustadas ao IPC.
Após quatro meses de busca em Sant Julià e noutras zonas, não surgiram opções adequadas. As rendas ultrapassam os 2000 euros por mês, a oferta é escassa e muitos proprietários rejeitam o seu pequeno cão. Até conhecidos com imóveis na paróquia disseram não ter nada disponível. A filha, de 37 anos, pediu autorização ao seu próprio senhorio e obteve aprovação para os pais se juntarem a ela. A mudança já começou, com grande parte dos móveis transportados de carroça.
Possuem uma pequena casa em Espanha — comprada no ano passado por receio do mercado de arrendamento andorrano —, que se tornou um provável refúgio a longo prazo. A mulher continua a trabalhar e tem direito a uma pensão aqui dentro de alguns anos, mas a família contactou o Institut Nacional de l'Habitatge (INH), que confirmou que a notificação cumpre os regulamentos e não oferece recurso.
A filha descreveu o peso emocional pesado da rutura, especialmente para a mãe, que passou meses angustiada e inicialmente ocultou a situação dos outros por vergonha. "Somos locais e não conseguimos encontrar onde viver. Vão expulsar toda a gente do país", disse ela. Notou uma inversão de papéis: "Antes, os filhos iam para casa dos pais; agora os pais têm de ir para casa dos filhos."
A família continuará a procurar até ao prazo-limite, mas vê a partida como cada vez mais inevitável. O pai resiste a deixar a sua terra natal, enquanto a filha avisou que pode segui-lo se ficar sozinha e não conseguir lidar com a situação.
Artigos relacionados
Outros artigos de fontes em catalao sobre a mesma historia: