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Andorra adia para 2026 apresentação de projeto para fim do congelamento de rendas

Governo atrasa apresentação até ao 1.º trimestre de 2026 para consultas mais amplas com interlocutores após rascunho filtrado provocar críticas da oposição.

Sintetizado a partir de:
Diari d'AndorraAltaveuBon DiaEl PeriòdicARA

Pontos-chave

  • Atraso para 1.º trimestre de 2026 para consultas com inquilinos, senhorios, sindicatos, oposição após reação ao rascunho filtrado.
  • Aumentos faseados: contratos pré-2012 totalmente levantados em 2027; mais recentes limitados a 25% em 5 anos, depois ligados ao IPC.
  • Isenções para imóveis >150m² ou rendas >2500€/mês.
  • Críticos apontam falta de diálogo, escassez de oferta e aumentos acima do crescimento salarial.

O Governo andorrano adiou a apresentação do seu projeto de lei para pôr fim ao congelamento de rendas pelo menos até ao primeiro trimestre de 2026, optando por consultas mais amplas com inquilinos, senhorios, sindicatos, grupos empresariais, sociedade civil e partidos da oposição.

O porta-voz do Governo, Guillem Casal, delineou o novo calendário numa conferência de imprensa na terça-feira, após a reunião do Conselho de Ministros. O executivo alterou os planos após rever os dados disponíveis, procurando uma proposta "fechada, exequível e aceitável" que equilibre interesses sem perturbar o público. As consultas começarão após as férias de Natal, sem data fixa. "Temos um ano de margem até ao fim do congelamento a 1 de janeiro de 2027, e apressar-se nunca é boa ideia", disse Casal, notando o desafio de passar de sucessivas prorrogações para um novo enquadramento.

O rascunho, partilhado previamente apenas com os grupos parlamentares da maioria, propõe aumentos faseados. Os contratos assinados antes ou durante 2012 levantariam totalmente as prorrogações em 2027. Contratos mais recentes poderiam prorrogar-se até cinco anos, com limites de 25% para rendas abaixo de 8 € por metro quadrado — faseados gradualmente ao longo de cinco anos — e de 20% a 5% para taxas mais elevadas. As renovações seguiriam apenas a inflação IPC. Há isenções para imóveis com mais de 150 metros quadrados ou rendas mensais acima de 2500 €.

Uma versão filtrada na semana passada provocou reação negativa. Partidos da oposição, incluindo Concòrdia, PS e Andorra Endavant, criticaram a falta de acesso e diálogo, vendo-o como um balão de ensaio em meio a perceções de pressa na habitação. A associação de senhorios APBI destacou a escassez de oferta face ao crescimento populacional e investimento estrangeiro mal direcionado, opondo-se a medidas que sobrecarreguem os proprietários. O sindicato USdA chamou o plano incoerente, alertando que aumentos de 25% superam o crescimento salarial no setor privado e aumentos do salário mínimo de no máximo 6%, erodindo o poder de compra numa crise estrutural de habitação.

A reação levou o Chefe do Governo, Xavier Espot, e a Ministra da Habitação, Conxita Marsol, a agir. Marsol convocou de urgência uma reunião do Conselho Económico e Social (CES), onde o projeto foi retirado da ordem de trabalhos. Os interlocutores receberam em vez disso o rascunho para análise, com dados prometidos para janeiro e um período de um mês para contributos que moldem uma versão mais consensual — podendo atrasar a apresentação para fevereiro.

Casal minimizou a disputa, apontando alinhamento com aliados do Governo e planos para incluir contributos da oposição. Reconheceu debates internos na maioria e riscos de emendas parlamentares, visando estabilidade. O presidente da CEA, Gerard Cadena, pediu mais dados de impacto, enquanto o tesoureiro da USdA, Joan Torra, acusou o Governo de sondar reações via filtro e duvidou da influência dos sindicatos. Oposição e sindicatos expressaram ceticismo quanto à transparência, com algumas figuras da maioria, como o deputado de Ciutadans Compromesos Carles Naudi, a sugerir ajustes necessários para equilíbrio entre proprietários e direitos à habitação. Casal sublinhou evitar um projeto vulnerável a grandes alterações, reiterando que há tempo amplo antes de 2027.

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