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Procuradoria andorrana pede penas de dois anos para família acusada de ocultar bens de restaurante para fugir a dívida de 60 mil euros

O Ministério Público andorrano pede penas de prisão suspensas de dois anos e 60 mil euros de responsabilidade civil a um homem de 73 anos e às suas duas filhas, acusados de obstruir a recuperação de

Sintetizado a partir de:
AltaveuDiari d'Andorra

Pontos-chave

  • Procuradoria andorrana pede penas suspensas de dois anos e 60 mil euros de responsabilidade civil à família por ocultar bens de restaurante.
  • Família acusada de transferir mobiliário do primeiro restaurante falhado para o segundo para fugir a 58 mil euros de renda por pagar.
  • Pai de 73 anos nega papel de gestão, diz ter dado só ajuda como factotum; filhas geriam formalmente os negócios.
  • Julgamento no Tribunal de Corts em curso, defesa alega transferências como ajuda familiar aberta.

O Ministério Público andorrano pede penas de prisão suspensas de dois anos e 60 mil euros de responsabilidade civil a um homem de 73 anos e às suas duas filhas, acusados de obstruir a recuperação de dívida após o falhanço de dois restaurantes familiares em Andorra la Vella.

ao Tribunal de Corts, que hoje se iniciou, centra-se num crime grave de frustração de procedimentos de execução. O primeiro restaurante, registado em nome de uma das filhas, funcionou de 2007 até ao fecho em 2015 na zona alta de Escaldes-Engordany, acumulando cerca de 58 mil euros em renda por pagar. Os procuradores alegam que o mobiliário inventariado no local foi transferido para um segundo restaurante aberto pela outra filha, impedindo o proprietário do imóvel de recuperar mais de 60 mil euros apesar de exigências judiciais lançadas após o fim dos pagamentos em 2010.

os procuradores que o pai teve um papel ativo de gestão, apesar dos negócios estarem formalmente administrados pelas filhas. Ele negou-o, insistindo que só prestou ajuda ocasional como factotum, empregado de mesa ou apoio, sem gerir finanças, contratos ou decisões. «Nunca atuei como proprietário, só ajudei as minhas filhas», disse ao tribunal, acrescentando que não recebeu pagamento. O seu depoimento incluiu contradições, hesitações e falhas de memória, que atribuiu a problemas de saúde recentes. Reconheceu saber das dificuldades financeiras e ter tentado renegociar a renda com o senhorio, mas manteve que não havia ordem de embargo quando o mobiliário — mesas, cadeiras e frigoríficos — foi movido após o fecho. O proprietário do imóvel permitiu-lhes levá-lo, disse, com a maioria dos itens para armazenamento e apenas uma pequena parte reaproveitada no segundo espaço. «Não somos criminosos», sublinhou, negando intenção de ocultar bens.

A filha que geriu o primeiro restaurante, que assumiu aos 21 anos com apoio financeiro e logístico dos pais, admitiu a dívida e as dificuldades iniciais. «Começou bem mas acumulou-se com os pagamentos», disse, notando que os pais cobriram alguns custos. Alegou ter compreensão limitada de documentos judiciais, assinando-os enquanto confiava em profissionais para assuntos administrativos.

A defesa descreve o papel do pai como ajuda familiar habitual no setor da restauração, com as transferências de mobiliário feitas abertamente e sem evasão a credores. Surgiram tensões durante o interrogatório, levando o juiz a avisar contra um «jogo de ténis» de interrupções.

A audiência continua amanhã com o depoimento da segunda filha e mais provas antes de um veredicto.

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