Sindicatos de Andorra Criticam Turnos de 72 Horas e Evasão Salarial no Setor da Saúde
Citado um relatório europeu de direitos que assinala violações em tempo de trabalho, teletrabalho e proteções sindicais, exigem limites legais ao trabalho suplementar, auditorias salariais e reforço do financiamento sindical face a queixas de evasão do salário mínimo.
Pontos-chave
- Turnos semanais de 72 horas nos serviços de saúde excedem limites.
- Empresas evitam salário mínimo misturando base com extras e bónus.
- Relatório europeu assinala não conformidade em 6/7 áreas, incluindo desigualdade salarial de género de 26%.
- Propostas: limites a horas extra, regras de teletrabalho, auditorias salariais, proteções sindicais.
**Andorra la Vella** – Representantes do Partit Socialdemòcrata (PS) e da Unió Sindical d’Andorra (USdA) criticaram duramente as condições laborais em Andorra, apontando turnos semanais de até 72 horas nos serviços de saúde e ação social, além de empresas que evitam aumentos do salário mínimo misturando salário base com horas extra, bónus e outros elementos não qualificáveis.
As preocupações foram expressas numa conferência de imprensa conjunta, onde a executiva do PS Carla Guinot e o tesoureiro da USdA Joan Torra analisaram um relatório do Comité Europeu dos Direitos Sociais, que detetou não conformidade em seis de sete áreas: limites de tempo de trabalho, proteções de saúde e segurança, regras de teletrabalho, desigualdade salarial de género de 26%, direitos sindicais e assuntos relacionados. Guinot descreveu a avaliação como uma oportunidade para corrigir problemas antigos, instando o governo a agir de forma decisiva em vez de protelar. Torra qualificou-a como um fracasso evidente do executivo, notando que a USdA – o único sindicato do setor privado em Andorra – enfrenta dificuldades sem recursos adequados para formação ou negociação.
Guinot delineou propostas em quatro áreas principais. Quanto aos horários de trabalho, defendeu limites legais para além das 40 horas padrão, restritos a emergências reais, com períodos de descanso obrigatórios, revisões de acordos setoriais que normalizam turnos longos e uma redução faseada para 36 horas no próximo mandato legislativo. Para o teletrabalho, pediu regras que abordem riscos psicossociais através de avaliações regulares, formação de especialistas e direitos de desconexão aplicáveis. Face à desigualdade de género – destacada ao lado do novo plano de igualdade do governo –, advogou auditorias salariais obrigatórias para empresas de dimensão média e grande, multas por disparidades não explicadas e planos de igualdade com metas claras. Ambos os oradores exigiram reforço das proteções sindicais, como salvaguardas contra represálias, tempo pago para delegados e apoio financeiro.
Torra detalhou queixas após o aumento de 5,4% do salário mínimo pelo governo – o dobro da projeção do IPC para 2025 – de trabalhadores de várias empresas, incluindo grandes. Explicou que os salários base frequentemente caem abaixo do limiar, com totais inflacionados por extras como horas extra ou itens reclasseificados, enquanto os registos da CASS não distinguem base do variável. O sindicato está a investigar casos e a preparar denúncias à Inspecção do Trabalho.
O diretor da Confederació Empresarial Andorrana (CEA), Iago Andreu, reconheceu que tais práticas podem ocorrer em casos isolados, prejudicando a imagem das empresas, embora a maioria cumpra. Enfatizou que a lei exige que o salário base por si só atinja o mínimo, excluindo variáveis, e instou os trabalhadores com problemas a alertar empregadores, sindicatos ou inspetores, com opções judiciais disponíveis. Andreu notou a ausência de multas recentes por salário mínimo, mas alguns erros anteriores no cálculo de horas extra, acrescentando que empresas maiores com equipas de RH geralmente cumprem as regras. A CEA não tem conhecimento direto de irregularidades, mas incentiva denúncias para manter padrões.
O General Syndic Carles Ensenyat apoia melhorias salariais para ajudar na retenção de imigrantes e na adoção da língua catalã, argumentando que baixos salários desencorajam o aprendizado entre o pessoal recrutado globalmente.
O governo ainda não comentou.
Fontes originais
Este artigo foi agregado a partir das seguintes fontes em catalao:
- El Periòdic•
El salari mínim no admet matisos en la seva aplicació
- ARA•
Els empresaris obren la porta a incorporar treballadors immigrants regularitzats a Espanya
- ARA•
Ensenyat defensa salaris més alts per afavorir la integració i l’ús del català
- El Periòdic•
La CEA assegura que no té constància de pagaments irregulars, però insisteix que “no vol dir que no passi”
- Altaveu•
La CEA insta els treballadors a qui no s'apugi el sou mínim a denunciar la situació
- Diari d'Andorra•
Jornades de treball maratonianes en sanitat i serveis socials
- ARA•
Jornades de 72 hores i salaris maquillats: nova alerta sobre la situació laboral
- Altaveu•
L'USdA denuncia que hi ha empreses que fan maniobres per evitar aplicar la pujada del salari mínim
- El Periòdic•
L’USdA assegura que hi ha empreses que no apugen els sous justificant que amb les hores extra ja superen el mínim